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One Piece atropela Hunter x Hunter no Oricon e expõe o custo bilionário dos hiatos

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Luffy aplicou outro “Gum-Gum” no mercado e deixou Gon de joelhos: pela terceira semana seguida, One Piece lidera o ranking Oricon de mangás físicos no Japão, enquanto Hunter × Hunter amarga posição inferior apesar da sede de seus leitores.

O detalhe que passa batido é a resistência quase anômala do volume 37 de Hunter, lançado há mais de um ano; ele ainda segura vaga no top 10 e revela que, mesmo em hiato, a série de Yoshihiro Togashi imprime receita que boa parte dos concorrentes ativos não vê.

Gear 5 virou vitrine de luxo e puxou a fila de vendas

Desde a exibição do episódio que colocou o Gear 5 no anime — tema que já agitara o streaming com o live-action da Netflix —, One Piece entrou num efeito dominó: procura alta em livrarias, reimpressões relâmpago e parceria agressiva com lojas de conveniência. A Toei capitaliza esse momento ao reposicionar 2024 como “o ano do clímax”, como mostrado no episódio 1170 citado aqui, e isso se traduz em números: a tiragem combinada dos últimos dois volumes já supera 3 milhões de cópias em quatro semanas.

Enquanto isso, a Shueisha usa a avalanche de Luffy como argumento interno para manter a rotação semanal de Oda mesmo com pausas médicas esporádicas. As edições encadernadas chegam sempre amarradas a campanhas de QR codes para itens digitais — estratégia que eleva o tíquete médio sem precisar inflar páginas extras.

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Volume solitário de Hunter × Hunter prova apetite que a Jump não consegue saciar

Ao contrário, Hunter × Hunter permanece autorizado a publicar só quando Togashi entrega lotes fechados de capítulos. Resultado: o leitor encara um deserto editorial desde dezembro de 2022, mas segue comprando o mesmo volume 37 em busca de capas alternativas ou reedições com papel de gramatura superior.

No Oricon desta semana, foram pouco mais de 19 mil unidades a R$ 27 em média, faturamento bruto de algo perto de R$ 513 mil — nada desprezível para um tomo repetido. Executivos da Jump admitem nos bastidores que o hiato “pesa mais que qualquer ação de marketing” e atrasa licenças internacionais, especialmente de streaming e mobile games.

Hiatos premium já afetam decisões de portfólio da Shonen Jump

O contraste entre o motor contínuo de One Piece e a espera crônica por Hunter acende debate dentro da editora: projetos que exigem autores com histórico de pausas longas estão recebendo contratos mais curtos e cláusulas de entrega programada. Séries novas têm sido instigadas a formar duplas de roteiro e arte — movimento que a Kadokawa testou em light novels para evitar “fenômeno Togashi”.

Para o leitor brasileiro, a disputa repercute de forma direta: a Panini se organiza para trazer o volume 38 de Hunter × Hunter assim que existir matéria-prima, mas admite que não consegue prever janela. Já a versão nacional de One Piece ganhará reedição de colecionador ainda no primeiro semestre, em tiragem reforçada pelo hype do Gear 5. Ao fim, a batalha no Oricon revela algo maior que um ranking — é o sintoma de um mercado que valoriza constância quase tanto quanto talento.

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