O rugido de Shenlong ecoou antes mesmo do amanhecer: a Converse confirmou nesta quinta-feira a aguardada linha Dragon Ball Z, formada por sete pares numerados que serão vendidos a partir de 1º de agosto. A notícia, vazada na noite anterior por lojistas asiáticos, derrubou em minutos o site americano da marca e colocou o nome de Goku no topo dos trending topics mundiais.
Mais do que fan-service, o pacote é munição pesada na guerra dos calçados colecionáveis. A Converse usa o apelo intergeracional de Dragon Ball para disputar o posto de “sneaker do ano” — e, nos bastidores, testa um novo teto de preço que pode redesenhar o segmento de collabs pop, como já havia sinalizado com a série especial citada em relatório interno obtido em março.
Sete pares, sete esferas e um salto de R$ 1.799 para R$ 2.499
Cada modelo homenageia uma fase ou personagem-chave da franquia, mas a lógica vai além da estampa: são exatamente sete silhuetas, referência direta às Dragon Balls. Três Chuck 70 trazem cenas clássicas (a primeira Genki-Dama, o sacrifício de Vegeta e a explosão de Namekusei), enquanto dois One Star evidenciam o ki elétrico do Super Saiyajin 2 e a aura lilás de Freeza em forma dourada. Fecham a lista um Run Star Motion laranja, inspirado no uniforme da Tartaruga, e um Weapon Mid preto com detalhes verdes que piscam sob luz UV, reproduzindo o bioscouter dos Saiyajins.
O detalhe que assusta (ou empolga) é o preço: entre R$ 1.799 e R$ 2.499, salto de até 40% sobre a última parceria premium da marca. Segundo executivos da Converse na Ásia-Pacífico, o reajuste cobre a adoção de painéis bordados em 3D e o novo cabedal ReCanvas, tecido reciclado mais caro que o algodão tradicional. Nesse pacote, cada par virá numerado na palmilha com miniatura acrílica da esfera correspondente e QR code que destrava filtros de realidade aumentada exclusivos no app.
Animes viram munição estratégica e empurram Nike, Adidas e Puma para o contra-ataque
A investida da Converse aciona sirenes na concorrência. A Nike encerrou discretamente a série Jordan x Naruto após duas coleções, e a Adidas ainda procura reanimar o hype do UltraBoost x Attack on Titan. O que está em jogo é o público de 15 a 35 anos, que tolera tíquetes mais altos desde que a experiência entregue história, raridade e exibicionismo digital.
De acordo com analistas da NPD Group, collabs de anime movimentaram US$ 380 milhões em 2023 só nos EUA, alta de 27% em relação ao ano anterior. A chegada de um nome do tamanho de Dragon Ball, somada à agressividade do preço, sinaliza que o boom ainda está longe do esgotamento. A própria Bandai, detentora da licença, prepara novas frentes de consumo: bonecos SH Figuarts com variação cromática de “aura queimada” e um game gacha mobile, ambos anunciados em Tóquio horas após o release da Converse.
No curto prazo, a collab também pressiona o mercado secundário. Revendedores já listam vouchers de pré-venda a até R$ 4.000, quase o dobro do valor oficial. A expectativa é que o par com Vegeta — limitado a 1.200 unidades globais — seja o primeiro a romper a barreira dos R$ 10 mil em plataformas de leilão ainda em 2024.
Se a aposta vai se pagar, só o próximo drop dirá. Mas a mensagem de hoje é clara: quem quiser “ir além dos limites” vai ter que abrir tanto a carteira quanto o armário — e o dragão lendário não concede desejo grátis.
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