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Após fiasco de “Supergirl”, chefia da DC dobra a aposta em spin-off adulto de Batman

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“Supergirl: Woman of Tomorrow” mal cobriu o próprio orçamento e já deixou um rombo de US$ 70 milhões nos relatórios da Warner. Era o primeiro grande teste da gestão James Gunn nos cinemas, mas virou o aviso mais ruidoso de que o público não compra mais promessas genéricas de super-herói.

Mesmo assim, o presidente de distribuição internacional, Andrew Cripps, garantiu esta semana que o estúdio está “descaradamente confiante” no próximo longa do selo Elseworlds: um spin-off R-rated centrado em um vilão de Gotham. A fala, deslocada do pessimismo geral, entrega uma mudança discreta — a DC não quer apenas sobreviver ao tropeço de Supergirl; quer provar que filmes adultos e enxutos são agora o coração do seu plano de risco controlado.

Fracasso de Supergirl expôs o custo da fórmula “herói por atacado”

Nos bastidores, o baque financeiro de Supergirl teve duas leituras. A primeira é contábil: faltou gente nos cinemas para bancar marketing, efeitos e participação dos exibidores. A segunda é de reputação: o personagem, empurrado como “muito importante para o futuro”, não tinha lastro de universo que justificasse o hype.

Esse duplo problema pôs em xeque o calendário já apertado que vai de “Creature Commandos” — onde uma trinca inusitada já ensaia novas experimentações — até “Lanterns”. A chefia entendeu que insistir em longas caros, guiados por efeitos e sem argumento fechado, ampliaria o rombo. Daí o olhar para títulos menores, autossuficientes e, sobretudo, com selo +18, onde a régua de bilheteria é mais baixa e a margem de criatividade maior.

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Por que o spin-off adulto de Gotham parece à prova de bala

Na prática, o estúdio repete a equação de “Coringa”: orçamento enxuto, pegada autoral e personagem já testado no imaginário pop. A aposta agora recai sobre Clayface, vilão cujo easter egg em “The Suicide Squad” — detalhado neste artigo — deixou fãs especulando sobre um filme solo desde 2021. Segundo executivos, o script abraça horror corporal, garante classificação R e exige menos de um terço do que foi gasto em Supergirl.

O raciocínio é simples: um longa de US$ 60 milhões precisa faturar bem menos que blockbusters de US$ 200 milhões para dar lucro. Além disso, o selo Elseworlds libera a narrativa de amarras canônicas; algo que James Gunn, aliás, vem praticando para fazer do selo um “laboratório paralelo”, como analisamos aqui. Nesse cenário, risco calculado vira vitrine criativa — e a DC ganha manchete positiva mesmo se o filme render “apenas” o dobro de seu custo.

2028 coloca duas visões de Batman no mesmo ano — e o estúdio banca a colisão

A lógica do baixo orçamento não impede investimentos grandes onde o retorno parece garantido. Em 2028, Matt Reeves entrega não um, mas dois projetos do Moro de Gotham, reforçando a convivência de linhas temporais distintas. Um deles é “The Batman – Parte II”; o outro, guardado a sete chaves, deve dialogar com o universo noir que Reeves aperfeiçoou. A DC confirma que não vai atrasar nenhum dos dois — sinal de que confia em público segmentado para cada selo.

Esse empilhamento de abordagens serve como antítese do modelo Marvel, marcado por continuidade rígida. Enquanto o estúdio rival corre para ajeitar “Daredevil” — caso que gerou choque de gestão — James Gunn lucra politicamente ao provar que visões múltiplas não canibalizam, e sim ampliam plateias. Se Clayface render o bastante para cobrir-se e sobrar, o fracasso de Supergirl será lembrado apenas como a pedra que obrigou a DC a pisar no freio certo.

No fim, o recado corporativo é claro: filme barato, violento e fora do cânone principal deixou de ser exceção. Virou a cartilha que pode manter o DCU respirando até que o reboot completo, com “Superman” à frente, tenha fôlego para voar.

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