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Ator de “Superman” expõe a falha estrutural de “Supergirl” e revela o truque que deve blindar “Man of Tomorrow”

David Corenswet, recém-escalado para viver Clark Kent no cinema, não fugiu do assunto que todo fã da DC evita há quatro décadas: por que o longa “Supergirl” virou sinônimo de desastre mesmo surfando na popularidade de Christopher Reeve? Para o novo Superman, o tropeço histórico tem nome e sobrenome — o filme trocou o coração da mitologia pela pirotecnia vazia.

Ao destrinchar a lição, o ator revelou de quebra a diretriz que guia o roteiro de “Superman: Man of Tomorrow”, ainda em pré-produção. Se a prima kryptoniana naufragou por transformar a heroína em passageira de uma trama sem ancoragem humana, ele garante que o próximo Homem de Aço fará o caminho inverso: “a aventura só salta para o espaço depois de resolver o que significa ser estranho na Terra”.

Supergirl errou o alvo ao trocar empatia por espetáculo

Lançado em 1984, “Supergirl” tinha tudo para decolar com Helen Slater, mas preferiu apostar em efeitos que envelheceram na semana seguinte à estreia. Corenswet lembra que a protagonista passava mais tempo fugindo de tentáculos de plástico do que entendendo quem era Kara Zor-El, rompendo a conexão emocional construída pela trilogia de Reeve. O resultado foi um orçamento estourado, crítica implacável e apenas US$ 14 milhões de bilheteria global.

O ator destaca um detalhe que pouca gente revisita: o roteiro original previa a participação de Superman em três cenas decisivas, cortadas para “não ofuscar” a prima. A ausência gerou o efeito contrário. Sem bússola emocional — o elo entre dois refugiados kryptonianos —, o filme virou uma história qualquer de fantasia, incapaz de sustentar seu próprio peso.

O novo plano para Clark: primeiro, o repórter; depois, o ícone

Segundo Corenswet, “Man of Tomorrow” adota uma política de pé no chão que a Warner vem ensaiando desde que James Gunn rebatizou o universo DC. A ordem interna é clara: mostrar Clark Kent ganhando confiança no jornalismo antes de vestir o escudo com desenvoltura. Isso responde à principal crítica dos fãs veteranos — a de que os últimos filmes trataram o personagem como força da natureza, não como homem.

A estratégia ecoa movimentos paralelos do estúdio, como o terror isolado de “Clayface”, que também promete histórias autônomas com começo, meio e fim. O objetivo é evitar que cada filme dependa de dez anteriores para fazer sentido, risco que corroeu o interesse casual nos anos finais do Snyderverse.

Por que isso importa agora — e não só para fãs de capa

O acerto ou não de “Man of Tomorrow” definirá quanto fôlego a Warner terá para bancar a fase 1 do DCU. Se Corenswet estiver certo e a bússola humana segurar o público, a lição de “Supergirl” poderá pavimentar um percurso seguro para o ambicioso calendário que inclui “Supergirl: Woman of Tomorrow” e um futuro spin-off do Batman, já especulado como resposta ao Aranhaverso.

Em outras palavras, a análise do novo Superman vai além de mera autocrítica de estúdio: ela revela que, no tabuleiro de Gunn, emoção virou ativo estratégico. Se “Supergirl” ensinou que não existe heroína que sobreviva a um roteiro sem alma, “Man of Tomorrow” pretende provar o oposto — e determinar se o DCU renasce como promessa ou como mais um voo curto de capa rasgada.

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