A Marvel ainda nem resolveu a barafunda multiversal de Secret Wars e já enfrenta outra crise de bastidores: quem vai costurar a tão esperada Saga dos Mutantes. Samuel L. Jackson não sinaliza aposentadoria, mas os roteiristas admitem que Nick Fury, aos 15 anos de tela, “não pode ser o único adulto da sala” quando X-Men, Deadpool e companhia desembarcarem de vez no MCU.
Nos corredores da Disney, a discussão deixou o campo das ideias: a sala de roteiro da Fase 7 recebeu ordem para eleger um novo maestro ainda em 2025, antes mesmo da estreia de Avengers: Doomsday. A disputa gira em torno de cinco candidatos – todos já testados em laboratório, seja por cena pós-créditos, série do Disney+ ou conversa de contrato. Cada um traz não só uma visão diferente de convivência com mutantes, mas também um modelo de governança para o universo inteiro.
A fadiga de Fury expõe rachaduras no modelo “um homem, um patch”
Kevin Feige sabe que depender de uma figura onipotente virou anacronismo. Fury acumulou derrotas recentes – do fiasco de Secret Invasion ao vazio estratégico deixado em The Marvels – e tornou-se vitrine da saturação apontada quando o estúdio encerrou o “Plano Sextênio” que inchou o MCU. O público já percebeu: o mesmo agente que uniu Vingadores em 2012 hoje parece turista num universo que cresceu além da S.H.I.E.L.D.
Há, ainda, um detalhe de bastidor. Contratos longos como o de Jackson encarecem a folha de pagamento justamente quando a Disney corta gastos. A solução é abrir espaço para rostos menos caros – e, de quebra, refrescar a narrativa. Por isso o estúdio estuda uma liderança mais setorizada, alinhada ao bojo mutante que dominará a tela após a explosão de Deadpool & Wolverine.
Cinco peças já testadas para virar o novo maestro dos mutantes
Entre reuniões e vazamentos calculados, surgiram cinco nomes com chance real de sentar na cadeira de comandante.
- Emma Frost – Vilã, heroína e CEO num só pacote. A Marvel flerta com a personagem para injetar sofisticação política ao estilo House of Cards. Seu controle sobre telepatia permitiria monitorar ameaças e aliados, lembrando a inteligência onipresente que Fury perdeu.
- Abigail Brand – Introduzida discretamente em Secret Invasion, a agente da S.W.O.R.D. carrega pedigree cósmico, mas foi repaginada nos quadrinhos para lidar especificamente com mutantes. Ela uniria espaço e Terra, ponte crucial quando Jean Grey reaparecer, como sugerido pelo “desligamento” recente da personagem no MCU.
- Valentina Allegra de Fontaine – Já presente em várias pontas do MCU, a nova “Val” encarna o cinismo realista que fez sucesso com Fury. No papel de cia extraoficial do governo, pode radicalizar o jogo geopolítico dos X-Men, ecoando a morte de Noturno em X-Men ’97, que testou o apetite do público por decisões cruas.
- Ciclope – Scott Summers agrada roteiristas por ser líder clássico, mas com conflitos internos suficientes para sustentar uma série longa. A Marvel quer alguém de dentro da classe mutante que possa negociar direto com heróis humanos, algo que só ele faz sem soar paternalista.
- Doutor Destino – Sim, um vilão. A ideia é copiar a lógica de Avengers: Doomsday, que coroará Destino como novo alfa do cosmos Marvel. Se o ditador da Latvéria assumir a mediação entre mutantes e Vingadores, o MCU abraça de vez a ambiguidade moral exigida pelo público pós-Thanos.
Destino de Secret Wars ditará quem carrega o apito na Fase 7
Nos bastidores, executivos usam a expressão “efeito beliscão” para classificar o momento: cada opção tem um grude emocional diferente no fandom e será testada em pequenas doses até 2027. A aposta hoje recai sobre um arranjo híbrido: Abigail Brand cuidaria do front espacial, enquanto Emma Frost assumiria a diplomacia terráquea, mantendo caminho aberto para que Destino domine a narrativa a partir do desfecho de Secret Wars.
Independentemente do vencedor, o recado já vazou: Nick Fury pode aparecer aqui e ali, mas seu tempo como eixo do MCU acabou. A Saga dos Mutantes exigirá múltiplos maestros — e a Marvel está disposta a sacrificar ícones para que o público compre essa nova cartilha de poder.

