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Brecha de 1966 explica por que a Terra vive abarrotada de Lanternas Verdes – e o DCU vai aproveitar

O novo seriado “Lanterns”, peça-chave do renascimento do DCU, não precisará inventar moda para colocar Hal Jordan e John Stewart patrulhando o mesmo quarteirão cósmico. A HQ quebrou a cláusula “um Lanterna por setor” há exatos 58 anos, quando os Guardiões de Oa criaram o posto de “suplente” para Hal, abrindo a porteira que acabaria trazendo Guy Gardner, Kyle Rayner e até Baz e Cruz para o mesmo planeta.

Esse detalhe, perdido no turbilhão de anéis, cores e reboots, ganha peso agora por dois motivos: dá munição jurídica para o roteiro televisivo — que pretende vender Hal e John como detetives parceiros — e, de quebra, desmonta a narrativa de que o anel ignorou Stewart por racismo, tese que voltou a pipocar após rumores sobre o elenco, como já se viu na discussão em Polêmica racial sobre Hal Jordan.

Regra de 1966 rompeu o monopólio do setor 2814

Volta a 1966, revista Green Lantern vol. 2 #47. Ao perceber que a Bateria Central podia falhar se Hal Jordan morresse, os Guardiões definiram que todo setor precisaria de um “alternativo de missão”. Nascia Guy Gardner, tecnicamente um Lanterna de reserva, mas na prática o segundo portador do anel do setor 2814. Era uma exceção cirúrgica, criada para salvar a vida do protagonista; virou precedente irrevogável.

A manobra foi tão eficaz que, em menos de três décadas, a exceção virou regra tácita. Quando Hal enlouqueceu em A Noite Final, a DC nem cogitou restringir o setor: simplesmente puxou Kyle Rayner de um beco. Depois dele, Simon Baz e Jessica Cruz engrossaram a contagem. Hoje, 6 dos 8 Lanternas humanos já ostentam carteirinha da Liga da Justiça. Tudo porque um roteirista dos anos 1960 temeu matar o herói principal antes da hora.

“Lanterns” vai explorar a brecha para unir Hal e John na tela

James Gunn sabe que a plateia atual desconfia de retcons improvisados. Ao usar a brecha de 1966, o estúdio ganha dois presentes: fidelidade histórica e liberdade criativa. Dentro da trama, a existência prévia da cláusula de suplência justifica Hal e John como co-titulares sem esticar a lógica cósmica. Fora dela, o roteiro ainda pode tratar da hierarquia entre os dois, tema que já fervilha desde que John Stewart apareceu mais velho no planejamento e empurrou a discussão sobre protagonismo negro para o centro das atenções.

Há outro ganho: a possibilidade de camadas. A série quer misturar investigação policial, terror cósmico e política intergaláctica. Hal, o “titular”, pode ser obrigado a dividir poder com John, o “suplente” — dinâmica que ecoa delegacias reais, onde experiência e ascendência racial ainda pesam. Não é coincidência que Gunn tenha vetado comparações fáceis com “She-Hulk”, como relatado em James Gunn veta comparação; ele pretende fincar o seriado em algo que a Marvel não possui: a tensão institucional entre dois heróis de igual patente.

Se funcionar, o estúdio terá pavimentado a trilha para futuras chegadas. Um Kyle Rayner novato pode surgir como recruta da dupla, ou Jessica Cruz pode entrar pelo vetor saúde mental, ambos já respaldados pela tradição da suplência. É a velha cláusula de 1966 — criada para salvar um personagem — que agora pode salvar a coerência do universo inteiro.

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