Robert Pattinson terminou de vestir o capuz em 2021 sem imaginar que só voltaria a Gotham quando a década já estivesse na reta final. A Warner confirmou que “The Batman – Parte II” pulou de 2026 para 2028, abrindo um hiato recorde de sete anos entre um filme e outro — mais que o intervalo inteiro da trilogia de Nolan.
Não é apenas uma data riscada no calendário. O recuo expõe a disputa interna por espaço entre o universo “Elseworlds” de Matt Reeves e o reboot comandado por James Gunn, que pretende apresentar seu próprio Cavaleiro das Trevas em “The Brave and the Bold” antes do retorno de Pattinson.
Janela de 2026 some e deixa rastro de custo milionário
A continuação de Reeves havia sido mapeada para outubro de 2025 e, depois, para 2026. O roteiro recebeu sinal verde ainda em 2023, cenários começaram pré-produção e contratos de elenco foram renegociados. Adiar dois anos significa congelar estúdios, prorrogar validade de acordos e diluir verba de marketing já empenhada.
Executivos próximos ao projeto calculam que, só com remuneração retida de equipe técnica, o empurrão acrescente até US$ 25 milhões ao orçamento final. Essa conta explica por que a Warner tentou segurar 2026 até o último segundo — e por que a desistência agora sinaliza prioridade zero para o selo paralelo.
Estratégia de Gunn exige Batman “titular” antes do retorno de Pattinson
James Gunn quer que o DCU nasça coeso, e isso passa por introduzir logo um Batman compartilhável com Superman, Lanternas e cia. Ao programar “The Brave and the Bold” para 2027 (data interna ainda não oficializada, mas já encaixada no planejamento de fluxo), o estúdio evita lançar dois Homens-Morcego no mesmo ano e confundir o público.
A lógica repete o que o próprio Gunn defendeu quando quebrou o cânone e criou um “laboratório”: personagens adultos ficam nos cantos, enquanto a linha principal guia licenciamentos e parques. Nesse cenário, Pattinson vira peça de prestígio, não de volume — e, portanto, pode esperar.
A decisão também serve de colchão para testar a recepção a heróis menos óbvios. Casos como a trinca inusitada de Creature Commandos dão tempo ao público de acostumar-se ao multiverso fragmentado antes de reencontrar o Batman noir de Reeves.
Risco calculado: memória do fã versus oxigênio para a marca
Sete anos sem Pattinson podem esfriar a conversa, mas há histórico a favor da aposta. “Coringa” ficou cinco anos fora das telas e voltou com musical estrelado por Lady Gaga, ainda sob hype. A diferença é que Batman sustenta a espinha comercial da DC — cada Natal sem novo merchandising fede a dinheiro perdido.
Internamente, o estúdio confia que a ausência será compensada pela sobrecarga de lançamentos do reboot. Só em 2026 e 2027 devem chegar “Lanterns”, “Supergirl” (ou outro eventual spin-off, apesar do fiasco recente) e a própria estreia do Batman do DCU. Se essa maratona falhar, o retorno de Pattinson em 2028 virará tábua de salvação; se der certo, Reeves ganhará aura de evento premium — e a Warner vence de qualquer jeito.
Enquanto isso, Robert Pattinson assiste ao relógio: cada volta do ponteiro aumenta o risco de envelhecer fora do papel, mas também melhora a chance de voltar como o Batman mais valioso de uma era em que o herói pode, enfim, escolher seus próprios crimes para resolver.
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