Dez minutos depois da abertura de pré-venda nos EUA, “Deadpool & Wolverine” já havia vendido ingressos equivalentes a 32% de tudo o que “The Marvels” faturou na estreia. A plataforma de bilheteria que acompanha o setor em tempo real revisou o tracking e agora projeta US$ 225 milhões no primeiro fim de semana mundial – sinal de que, sozinho, o filme pode ultrapassar a soma dos três últimos longas do MCU.
Os números acendem uma luz que Kevin Feige precisava para ontem: a franquia vem de uma sequência de quedas que incluiu o freio de emergência no streaming, exposto pelo cancelamento de “She-Hulk”, e a ginástica para encaixar um sexto longa pós-“Avengers: Doomsday”. Se o cálculo se confirmar, “Deadpool & Wolverine” vira não apenas um blockbuster, mas a régua que dirá quanta gasolina ainda existe no tanque do MCU.
Projeção interna desafia a maré de derrotas
Guardians 3 terminou com US$ 845 milhões globais, “Quantumania” parou em US$ 476 milhões e “The Marvels” sequer bateu US$ 210 milhões. Somados, chegam a algo em torno de US$ 1,53 bilhão. O novo modelo preditivo da mesma consultoria que cravou com precisão o desempenho de “Barbie” indica potencial de US$ 1,6 bilhão para “Deadpool & Wolverine” até o fim da corrida nos cinemas.
Três fatores alimentam a curva: o selo R-Rated, que historicamente freava bilheterias, virou atrativo de diferencial; a volta de Hugh Jackman ao manto de Logan após sete anos fora do papel; e a narrativa de “primeiro ato de reset” que a Marvel empacotou para vender a transição rumo a “Avengers: Doomsday”. O estúdio lançou mão de uma estratégia pragmática: sem nostalgia rasa, como mostrou o trailer do próprio Doomsday, e com marketing ancorado em humor autorreferente, marca registrada de Ryan Reynolds.
O que muda se o cálculo se confirmar
Internamente, o estúdio trabalha com dois cenários. No primeiro, a projeção se cumpre e “Deadpool & Wolverine” retoma o patamar bilionário que o MCU não vê desde “Spider-Man: No Way Home”. Isso afasta a urgência de cortes de custo que rondam projetos médios, como a sequência de “Shang-Chi”, e garante fôlego para o crossover histórico com os heróis da era Netflix programado para 2027.
Pressão direta na mesa de roteiro
O segundo cenário, menos otimista, calcula US$ 950 milhões – ainda robusto, mas aquém da soma dos três antecessores. A diferença de US$ 650 milhões define se a Marvel aproveitará a maré para ousar ou se voltará a podar risco criativo. Fontes envolvidas no roteiro de “Avengers: Doomsday” apontam que a participação de apenas três veteranos de “Endgame” – revelada no teaser – depende dessa margem extra para bancar a chuva de novos contratos.
Detalhes que escapam ao radar
Há um dado que passa batido na euforia dos fãs: 21% das vendas de pré-estreia vieram de salas IMAX e Dolby Cinema, quase o dobro da média do MCU. Isso indica ticket médio mais alto e reforça o cálculo que faz “Deadpool & Wolverine” parecer um fenômeno imediato. Além disso, executivos envolvidos no licenciamento confirmam acordos agressivos com 17 marcas de consumo rápido, número recorde para um filme cuja classificação etária é 18+ nos principais mercados latino-americanos.
A Marvel ainda precisa provar que o hype pode sobreviver ao boca a boca pós-estreia. Mas, pela primeira vez em três anos, o estúdio chega menos preocupado em conter danos e mais disposto a vestir a arrogância que o colocou no topo na década passada. Se “Deadpool & Wolverine” entregar o que promete, a tão comentada virada sombria de Matt Murdock em “Daredevil: Born Again” deixará de ser aposta de nicho e ganhará chancela de blockbuster.
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