A Marvel não vai esperar nem os créditos subirem em “Avengers: Doomsday” para mostrar que o jogo continua. O estúdio fincou, nos calendários internos da Disney, a estreia de mais um longa-metragem em 2027 — o sexto confirmado para depois do crossover que, supostamente, fecharia a Saga do Multiverso.
O movimento derruba a ideia de “fim de ciclo” vendida na San Diego Comic-Con e revela uma estratégia de transição imediata: usar o barulho de “Doomsday” como rampa para heróis da segunda leva, caso de Shang-Chi, enquanto mantém abertos os arcos de Latveria, Capitã Marvel e X-Men mencionados nos últimos vazamentos.
Sexto longa no calendário destrava pós-crédito ambicioso
Segundo executivos ligados à distribuição, o slot de 12 de fevereiro de 2027 havia sido reservado apenas como “untitled Marvel”. Agora ganhou status de projeto ativo, já na fase de tratamentos de roteiro. A data vem dez meses após “Avengers: Doomsday” — intervalo menor que o respiro de dois anos dado depois de “Endgame”. O recuo do estúdio em alongar hiatos indica preocupação em não perder terreno para “Avatar”, DC e streaming, mesmo que “Doomsday” prometa um terremoto narrativo.
Nos bastidores, a aposta corrente é que o filme seja “Shang-Chi and the Wreckage of Time”, rascunho autenticado pelo Writers Guild. A continuação dialoga com o anel místico que teria sido rastreado em Latveria, como mostramos na análise sobre a troca de Sokovia por Latveria. A trama casaria com a presença confirmada de Doctor Doom em “Doomsday” — vilão cujo novo traje vazado, detalhado na SDCC, aponta fusão de tecnologia wakandana e feitiçaria tibetana.
Aposta em heróis de segunda rodada testa a paciência do público
Se a escolha recair mesmo sobre Shang-Chi, a Marvel corre para transformar um campeão de bilheteria moderada em pilar pós-Vingadores. O primeiro filme lucrou US$ 432 milhões — respeitável em pandemia, mas longe de um “Pantera Negra”. O estúdio sabe que precisa entregar algo mais que artes marciais super-estilizadas: precisa amarrar o protagonista à mitologia que restar depois do reset conduzido por Doctor Doom.
O risco calculado esbarra no desgaste que a própria Fase 6 já carrega. Nossa reportagem sobre como a Marvel rifou o futuro no hype mostra que apenas dois projetos causam real empolgação nas pesquisas de audiência. “Doomsday” é um deles. Prolongar a expectativa pode cansar o espectador que já torceu o nariz para a overdose de séries como “She-Hulk”, cancelada antes da hora.
Os números que preocupam Burbank
- Queda de 17% na taxa de retenção de público entre “Guardians 3” e “The Marvels”.
- Receita média por ticket 11% menor para filmes sem Vingadores no título.
- Inflação projetada de 8% no custo de produção de blockbusters até 2027.
Com orçamentos cada vez mais inflados, um fiasco em 2027 pode arrastar para baixo o relançamento de franquias que dependem da boa vontade do mercado — caso do planejado crossover entre os antigos Defensores da Netflix e os Vingadores, que só deve ver a luz em 2027 se “Doomsday” acertar o reset, como discutimos no especial sobre o crossover histórico.
Peso financeiro à parte, a Marvel coloca em xeque a própria tese de “evento único” que sustentou a Saga do Infinito. Ao engatar um sexto filme imediatamente, o estúdio abandona qualquer noção de luto ou celebração pós-batalha final. Para o fã, o recado é claro: não existe mais último capítulo, apenas a próxima cena pós-crédito — e isso pode ser tanto convite quanto exaustão.
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