O estande do Marvel Studios na San Diego Comic-Con exibiu uma peça conceitual que instantaneamente confundiu fãs: uma personagem intitulada “Latverian Witch” vestindo túnica vermelha rasgada e portando runas idênticas às que marcaram a queda da Feiticeira Escarlate em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. Bastou a foto circular para reacender a aposta de que Elizabeth Olsen voltará em Avengers: Doomsday — mas sob uma identidade capaz de ligar Wanda Maximoff a Doutor Destino.
O detalhe que ninguém percebeu à primeira vista — um broche prateado com o brasão de Latveria sobre o antigo símbolo de Sokovia — entrega mais do que mero visual: indica que a Marvel está disposta a reescrever a origem de Wanda como peça-chave da nova fase, fugindo da rota mutante tradicional e, de quebra, pavimentando a entrada do maior antagonista dos Vingadores pós-Thanos.
Broche latveriano e runas vermelhas entregam ponto de virada
Até aqui, qualquer pista sobre a Feiticeira Escarlate esbarrava no fim trágico da personagem no último longa de Doutor Estranho. O novo material, porém, troca a referência sokoviana pelo símbolo da monarquia de Victor Von Doom, o que casa com o escudo rachado de Steve Rogers já atribuído aos planos do vilão. A mudança geopolítica abre espaço para três movimentos simultâneos: introduzir Doom sem precisar esperar pelos Quarteto Fantástico, justificar a ressureição de Wanda via magia caótica diferente do Darkhold e ainda costurar a trama dos Sentinelas redesenhados revelados no mesmo evento.
Aliás, a exposição também destacou o robô gigante que remete a Dias de um Futuro Esquecido, mas com novo esquema de cores vermelho-esmeralda. A paleta combina com o brasão latveriano e reforça a especulação de que esses modelos seriam construídos sob encomenda de Doom — teoria que se conecta ao dossiê exclusivo sobre o Sentinela redescoberto. Se confirmada, Wanda/Latverian Witch pode ser tanto arma quanto isca contra mãos mutantes como Magneto, gambito que também conversa com a volta de Gambit em X-Men ’97.
Ambiguidade calculada virou motor do marketing de risco da Marvel
Desde o excesso de apostas que ameaça o calendário de Avengers: Secret Wars, o estúdio testa recepção antes de oficializar caminhos. Em 2023 foi o logo mutante de Deadpool; agora, imagens sem legenda precisas colocam a internet para trabalhar de graça. A tática reduz o desgaste de comunicados formais — se o público rejeitar a ideia da Bruxa Latveriana, basta alegar que se tratava de conceito preliminar.
Por que isso importa agora
A carta Wanda resolve dois gargalos urgentes: devolve popularidade feminina de bilheteria e oferece antagonista de moral dupla para equilibrar a ausência momentânea de Homem-Aranha e Pantera Negra no time principal. Mais do que isso, alinha narrativas dispersas — como o renascimento de Ultron citado em WandaVision 2 — em torno de um único eixo místico-político. Caso a Latverian Witch se confirme, Doomsday deixará de ser mero evento cataclísmico para se tornar ponto de partida da fase Doutor Destino, reposicionando o Universo Cinematográfico da Marvel para além do multiverso hoje saturado.
Faltam meses para o primeiro trailer completo e mais alguns meses para o lançamento nos cinemas e IPTV, mas o MCU já colheu o que queria: teorias fervendo, ameaças novas no horizonte e a percepção de que, se Wanda realmente retornou, nenhuma morte recente está a salvo de retcon. Para bem ou para mal, a Bruxa mudou de país — e pode mudar o futuro dos Vingadores pela segunda vez.
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