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Com “Doomsday” e “Secret Wars”, Kevin Feige dobra a aposta em eventos gêmeos e encerra a era das fases inchadas da Marvel

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Kevin Feige não anunciou apenas duas superproduções na CinemaCon: ao confirmar Avengers: Doomsday e Secret Wars como um pacote filmado de uma vez, o presidente da Marvel encerrou o modelo de fases infladas que vigorava desde 2016. A partir de 2027, o estúdio passará a trabalhar em duplas de eventos anuais, reduzindo volume de lançamentos, mas ampliando orçamento e janela de marketing para cada capítulo-chave da cronologia.

Na prática, a manobra cria um “ano zero” pós-Multiverso: um semestre entregue a Doomsday para limpar o tabuleiro e outro reservado a Secret Wars para recolocar peças novas, começando pelos mutantes. É aqui que o exílio de Peter Parker em Brand New Day — já apontado como pino-mestre de Avengers: Doomsday — ganha função estratégica: fornecer um herói-ponte enquanto o MCU troca de pele.

Duologia dos Vingadores vira centro de gravidade único até 2028

Feige determinou que Doomsday e Secret Wars sejam filmados em blocos consecutivos, com roteiristas compartilhados e mesmo designer de produção. A decisão, segundo executivos ouvidos off the record, corta 18 meses de desenvolvimento e poupa US$ 150 mi em custos de pré-produção duplicada. Esse dinheiro migra para efeitos visuais e para aparições relâmpago — como a cena de Brand New Day que quebrou o feitiço de identidade de Peter Parker.

O recuo no número de filmes anuais é compensado por campanhas de marketing estendidas. Quem viveu a histeria de Vingadores: Ultimato vai reconhecer o modelo: um triênio de aquecimento seguido por dois capítulos-evento. Agora, porém, eles vêm colados, evitando o efeito fadiga que atingiu a Fase 5. O ajuste ainda liberou uma brecha de seis meses e permitiu a negociação para que Shang-Chi 2 assuma a dianteira entre as estreias solo.

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Calendário enxuto acelera chegada dos X-Men e integra o legado Netflix

A limpeza abriu espaço orçamentário para a primeira leva mutante: depois da surpresa com Jean Grey, a Marvel já fechou contrato com a intérprete de Tempestade, movimento noticiado em set report exclusivo. Os mutantes devem entrar diretamente em Secret Wars, pulando o velho ritual de apresentação em filmes solo para não atrasar a rotação de protagonistas.

Outra consequência do enxugamento é a canonização do núcleo urbano herdado da Netflix. A equipe vilã conhecida dos fãs de Daredevil foi oficializada para preencher o vácuo entre Doomsday e Secret Wars, criando passagem para um possível team-up com o Homem-Aranha quando Peter retornar da órbita de Battleworld. Esse encaixe explica por que a Marvel acelerou a participação de Cindy Moon em Brand New Day: ela serve de elo entre Nova York e o front cósmico.

Os que ganham – e os que perdem – com o novo arranjo

Produções já problemáticas entram na lista de corte. Blade, sem protagonista, perde prioridade e pode virar especial de streaming, não mais longa-metragem. Já franquias sólidas com baixo risco, como Deadpool, mantêm espaço por causarem pouco conflito de agenda e servirem de laboratório para testar a classificação 18+ dentro do MCU.

  • Beneficiados: Shang-Chi 2, Deadpool, série do Demolidor, projetos mutantes.
  • Postergados ou redimensionados: Blade, parte do núcleo cósmico ligado aos Eternos, spin-offs do Cavaleiro da Lua.

Nos bastidores, a peça que nenhum relatório de investidor revela é a máscara de Doctor Doom exibida na SDCC 2026 — assunto que incendiou fãs e analistas em painel de bastidores. A relíquia latveriana foi criada como easter egg para Secret Wars, mas a ascensão dos X-Men recuperou Doom como eventual vilão de transição. Se vingar, o soberano da Latvéria pode protagonizar a dupla de eventos pós-2030, mantendo o ciclo de blocos gêmeos que Feige acaba de inaugurar.

Assim, a Marvel troca quantidade por coerência e reposiciona velhos e novos heróis em torno de megablocos focados. Se funcionar, Doomsday e Secret Wars não serão apenas o fim de uma saga multiversal, mas o ensaio-geral de um MCU mais enxuto, ainda capaz de surpreender — e com fôlego para, quem diria, outra década de super-heróis no trono do cinema pop.

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