Quando o código “CLUCKTASTIC” foi divulgado no Discord oficial de Chicken Farm, na madrugada de quarta-feira (12), o contador interno de jogadores simultâneos saltou de 8,4 mil para 31 mil em menos de uma hora. Em vez de celebrar o pico, o estúdio IndieMind teve de correr: a enxurrada de boosts gratuitos derrubou o valor médio do “Golden Egg”, moeda premium que sustenta o passe VIP de R$ 12,99.
O susto escancara um dilema que vem se repetindo em simuladores do Roblox: o código gratuito atrai tráfego relâmpago, mas, usado em excesso, asfixia a microeconomia que paga as contas. O fenômeno já virou alerta vermelho depois da tsunami de códigos em Grow a Chicken Fighter; agora, atinge sua “fazenda” irmã, colocando o VIP — principal fonte de receita do game — na berlinda.
Boost grátis hoje, inflação de ovos amanhã
Desde o início de junho, Chicken Farm recebeu dez códigos novos, o dobro do volume registrado em todo o primeiro trimestre. Cada um fornece de 15 a 30 minutos de multiplicador de ovos e até dois “lucky blocks”, itens que aceleram a fusão de galinhas raras. O resultado imediato é visível na prateleira de trocas: segundo monitoramento dos próprios usuários, o preço do “Epic Rooster” saltou de 180 para 460 ovos em três dias.
Inflação alta encurta a vida útil dos códigos anteriores, cria sensação de urgência e pressiona quem ainda não aderiu ao VIP. A tática lembra o que fez a desenvolvedora de The Portal — mas lá o plano incluía subida agressiva no preço dos passes pagos. Em Chicken Farm, o pacote VIP mantém o mesmo valor desde 2023, o que empurra IndieMind para um ponto de ruptura: ou encarece o passe e corre o risco de fuga em massa, ou limita a distribuição de bônus gratuitos e perde fôlego nos gráficos de popularidade.
Dados internos revelam queda de 22% no tíquete médio
Pessoas próximas ao projeto confirmaram à reportagem que, apesar dos picos de logins, a receita por usuário caiu de US$ 0,31 para US$ 0,24 entre abril e junho. O impacto foi pior nos celulares Android, plataforma que responde por 63% da base total. A leitura no estúdio é direta: quanto mais fácil é juntar ovos, menor a tentação de pagar pelos multiplicadores permanentes.
Não por acaso, a atualização prevista para o fim do mês ganhou uma pauta extraordinária: um “Egg Sink”, mecânica de descarte que queima moedas para liberar skins cosméticas. A estratégia de drenagem já funcionou em outros simuladores, mas traz efeito colateral. Se o balanceamento falhar, pode reacender a escalada de códigos e acelerar o ciclo de dependência, algo que o CEO da Take-Two citou recentemente ao prever o fim do videogame como hardware: serviços vivem do engajamento, não do produto em si.
Pressão da comunidade muda o tom do Discord
Enquanto isso, o humor dos jogadores oscila entre euforia e ceticismo. Reclamações sobre “paywall disfarçado” cresceram 40% nos canais oficiais desde a última leva de códigos. Moderação adotou tag “@slowmode” para conter spam, além de banir negociações externas de ovos, prática que ganhou tração com a hiperinflação.
O estúdio garante que não haverá wipe — reinício de contas —, mas não descarta desativar códigos antigos para esfriar o mercado. Se a medida vingar, Chicken Farm vai repetir o pêndulo vivido por Silent Hill 2 no PS5 Pro, que recebeu patch de 6 GB para tapar um buraco e abriu outro, como destacou a reportagem sobre o ciclo de remendos.
Pelo ritmo atual, jogadores podem até comemorar boosts diários, mas a vitória custa caro: cada novo código gratuito empurra um pouco mais o jogo para a mesma armadilha financeira que já engoliu outros simuladores do Roblox. Resta saber se IndieMind consegue estancar a sangria antes que o galinheiro fique vazio — de dinheiro, não de aves.
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