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Sony dispara cronômetro de nove filmes do Homem-Aranha e testa limites da parceria com a Marvel

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O furacão de bilheteria que Brand New Day provocou no mundo todo não só garantiu sobrevida ao Homem-Aranha no cinema como acionou um gatilho silencioso: a Sony já colocou em pré-produção nove filmes ligados ao herói, entre títulos confirmados e projetos mantidos em sigilo contratual.

Por trás do anúncio em série, há mais que euforia financeira. O estúdio corre contra o relógio para lançar o máximo de longas antes de 2029, quando expira a janela de coparticipação assinada com a Marvel Studios — e cada estreia agora conta como peça de negociação futura.

Sony engata produção de nove filmes do Aranha até 2029

Executivos da Sony revelaram internamente um mapa de estreias que inclui a continuação direta de Brand New Day, dois spin-offs focados em vilões urbanos, um live-action de Spider-Gwen, o polêmico Sinister Six reformatado, além de quatro projetos listados apenas por codinomes de animais — prática que o estúdio usa para esconder o enredo de variantes multiversais.

O cronograma prevê dois lançamentos anuais a partir de 2026, ritmo inédito para a franquia. O efeito colateral é a sobreposição de públicos: três dos nove filmes mirarão a mesma faixa etária de 13 a 17 anos no intervalo de 14 meses, algo que a própria Sony evita em outras marcas para não canibalizar bilheteria.

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Embora o estúdio não confirme detalhes, fontes próximas à produção apontam que os roteiros de metade desses projetos foram acelerados logo que Brand New Day ultrapassou US$ 1 bilhão mundialmente, façanha impulsionada pela quebra de uma tradição que a Marvel sustentava há quase uma década.

Fim da segunda cena pós-créditos libera criação fora da cartilha

Ao retirar a “cena B” dos créditos finais, como já havia acontecido em Brand New Day, a Sony se viu desobrigada de deixar ganchos compatíveis com o MCU. O gesto, simples na tela, equivale a um recado corporativo: daqui para frente, o Aranha não precisa preencher cada lacuna planejada por Kevin Feige.

Nos bastidores, isso significa liberdade para escolher vilões ainda inéditos em tela grande — Kraven em versão mercenária, a introdução de Silk sem menção a Vingadores e até a volta do filho de Hulk, Skaar, cujo cameo relâmpago já foi notado em Brand New Day. Sem a obrigação de conectar tudo ao próximo evento do MCU, a Sony pode experimentar formatos menores de orçamento e até distribuir filmes direto no streaming.

Calendário agressivo pressiona acordo Marvel-Sony

A cláusula de cooperação Marvel/Sony prevê revisão a cada cinco longas inéditos. Com nove projetos em fila, a Sony empurrou o índice de reajuste para menos de três anos, reduzindo margem de manobra da Marvel para priorizar crossovers — movimento que coincide com a reestruturação interna do estúdio após polêmicas como a omissão de Shang-Chi em Avengers: Doomsday.

Especialistas em direito de propriedade intelectual apontam que, se o pacote inteiro estrear antes de 2029, a Sony terá atendido a meta de “manutenção ativa de direitos” pelo dobro do exigido no contrato original. Isso enfraquece a cartada mais forte da Marvel — a ameaça de reaver o personagem por inatividade.

Na prática, a pressa cria zonas de atrito operativo. Equipes de efeitos visuais relatam agendas sobrecarregadas, já que os mesmos fornecedores prestam serviço para Disney e Sony. Há ainda o risco de saturação de mercado: desde No Way Home, toda vez que o Aranha aparece, o rendimento global do MCU cresce 18% em média. Se o herói passar a bater ponto em dois longas por ano, essa vantagem pode diluir e reduzir o poder de barganha de ambos os estúdios.

O detalhe que quase passa batido

Uma das “produções-lagarto” do cronograma — codinome atribuído a um projeto que dá sequência ao arco de Curt Connors — foi escrita para ser filmada inteiramente em estúdios de realidade virtual, tecnologia testada pela Marvel em Ant-Man 3. Caso avance, será o primeiro longa do Aranha a dispensar locações físicas, barateando custos e permitindo gravar simultaneamente a séries do MCU, como a fase Born Again de Daredevil. Esse salto técnico pode explicar por que a Sony se sente confiante para empilhar filmes mesmo sem aumentar proporcionalmente o orçamento total.

Entre o ímpeto de independência e a dependência mútua dos cofres, Sony e Marvel entram na contagem regressiva mais delicada desde 2015. Para o público, o resultado promete overdose de histórias do Aracnídeo; para os executivos, cada bilhão a mais ou a menos nas próximas bilheterias pode decidir quem ficará pendurado na teia quando 2029 chegar.

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