No intervalo de dois anos entre Superman: Legacy e sua recém-confirmada continuação, James Gunn decidiu atacar o ponto mais vulnerável da DC nos cinemas: a ausência de um herói jovem que converse com o público de 15 a 25 anos. Superman 2 vai apresentar oficialmente Conner Kent, o Superboy, e a produção já trata o personagem internamente como “nosso Homem-Aranha”.
O apelido não é acidental. Além da idade próxima à de Peter Parker, Conner tem carisma folgado, faz piada no meio da pancadaria e, principalmente, oferece a mercadoria de mercado que falta à Warner — mochilas, games e séries animadas voltadas a liceus e streamers. É a peça que pretende destravar bilheteria recorrente depois que Brand New Day provou que o dinheiro adolescente segue nas mãos do herói “relatable”.
Por que a DC precisa de um Aranha para ontem
A Marvel achou seu motor de juventude em Tom Holland em 2016 e mantém o ciclo até hoje; a Sony já encurtou janelas de lançamento confiando nesse fôlego. Do lado da Warner, Shazam 2 fracassou, Blue Beetle entrou no limbo de transição e nem mesmo o hype de The Batman alcança adolescentes da forma como Parker faz. O resultado aparece nas planilhas: ingressos de preço reduzido às quartas, combos “estudante” e licenciamentos em papelaria renderam 32 % da receita de No Way Home, segundo números de mercado.
James Gunn conhece o buraco. Em reuniões vazadas a agentes de elenco, o diretor afirmou que faltava à DC “um personagem-portal” — alguém que permitisse ao espectador jovem entrar em histórias cósmicas sem sentir que chegou atrasado. O roteiro preliminar de Superman 2 já reserva um flanco inteiro para cenas em Metrópolis High School, onde Conner (ainda sem codinome oficial) lida com provas de química antes de se meter numa crise-Brainiac. O contraste com o Clark veterano quer repetir o choque geracional que a Marvel usou em Civil War para lançar seu Aranha.
Quem é o novo Superboy e como ele encaixa no tabuleiro de Gunn
Nos quadrinhos, Conner Kent nasceu nos anos 90 como clone de Superman e Lex Luthor, mas ganhou contornos mais próximos de Miles Morales nos últimos arcos: cabelo raspado, jaqueta de couro, fone pendurado no pescoço e gírias de rede social. Essa leitura “zoomers first” virou ouro depois que pesquisas internas apontaram que apenas 18 % da Geração Z se diz fã da marca DC — metade do índice da Marvel. Não à toa, a continuação planeja apresentá-lo ainda sem a clássica camiseta do “S” vermelha, guardando a evolução de uniforme para uma série derivada na Max.
Num dos storyboards em circulação, Conner surge salvando um drone de entrega que cai sobre o campus; a cena serve duplamente: demonstra poder em escala menor e reforça o imaginário de “herói do quarteirão”, exatamente como o barômetro de carisma que a Sony explora com Parker no Queens. Mais tarde, quando Brainiac hackeia satélites globais, o Superboy vira condutor de exposição tecnológica, liberando Clark para socar robôs gigantes sem explicar cada gadget. É o mesmo equilíbrio que Tom Holland faz com Tony Stark.
O detalhe que quase passa batido
Há uma cláusula curiosa no acordo de participação de Conner: merchandising separado de Superman. Fontes ligadas ao departamento de produtos confirmam que bonecos do Superboy terão packaging teen, logotipo e slogan próprios. A jogada abre espaço para que o personagem, se aprovar nas bilheterias, protagonize um longa solo já na segunda fase do DCU, copiando passo a passo a estratégia de cultivo que a Marvel aplicou entre Homecoming e No Way Home.
Superman 2 ainda não tem data, mas o recado é claro: antes de apostar todas as fichas na épica Liga da Justiça, James Gunn quer garantir seu “friendly neighborhood hero”. Se Conner Kent decolar, a disputa pelo bolso adolescente volta a ficar equilibrada — e a DC finalmente terá seu próprio nome para estampar fichários de colégio ao lado do onipresente Homem-Aranha.

