Quando o primeiro episódio de Lanterns terminou, a maior surpresa não foi a morte de Hal Jordan, mas um clarão rubro que atravessou a cena final antes dos créditos. O efeito, aparentemente solto, vem acompanhado de um fragmento de uniforme encharcado de sangue — detalhe suficiente para indicar que o novo DCU já sabe qual velocista usará daqui para frente.
O público saiu caçando explicações, e a produção fez questão de deixar um rastro de migalhas que aponta na direção de Wally West, não de Barry Allen. A escolha, se confirmada, alinha a franquia de James Gunn com a decisão de antecipar heróis como Hawkgirl e deixar ícones clássicos — caso da Mulher-Maravilha — para depois, movimento já notado em outras séries do estúdio.
Twist de Lanterns liga Central City a Coast City antes mesmo de um filme do Flash
O corpo “impossível” encontrado por John Stewart — que os showrunners já usaram para insinuar a entrada do Caçador de Marte — estava envolto em um resíduo de energia descrito como “vibração lumínica supersônica”. Em termos de quadrinhos, é a assinatura da Força de Aceleração. O roteiro revela ainda que o ferimento foi aberto por objeto pontiagudo de metal amarelo, cor que remete diretamente ao vilão Zoom, antagonista histórico de Wally.
Essa costura não é acidental. Internamente, a Warner avalia que Barry Allen carrega desgaste após o filme estrelado por Ezra Miller; associá-lo de imediato à nova cronologia poderia contaminar o reboot. Já Wally chega com a vantagem de ser mais jovem, permitir elenco fresco e diferenciar o perfil psicológico do velocista — menos culpa, mais humor, algo que a cartilha visual de Gotham no DCU já vinha sugerindo para o tom geral.
Por que James Gunn prefere estrear o velocista na TV — e qual detalhe quase passou batido
Há um cálculo comercial: lançar Wally numa série que atrai o público hardcore de quadrinhos custa menos e entrega medidor instantâneo de engajamento antes de travar um contrato cinematográfico de longo prazo. Foi a mesma lógica usada quando Hal Jordan foi sacrificado no piloto para alavancar John Stewart. Se o buzz vingar, o filme do Flash entra na fila de 2027, ano em que Batman e Superman já dividirão as telonas.
O frame-chave está a 37 minutos e 12 segundos do episódio: na autópsia relâmpago, a câmera foca em um cartão de identificação do laboratório criminal de Central City datado de 2019 — ano em que Barry teria desaparecido, segundo os quadrinhos de “Crise Infinita”. A sutileza sugere que Wally assume o manto após a ausência de seu mentor, encaixando o DCU numa linha temporal em que o peso da perda já aconteceu fora de cena. É a maneira mais barata — e mais elegante — de reposicionar o velocista sem repetir o drama de origem pela quarta vez em menos de dez anos.
Se a manobra funcionar, Gunn mata duas charadas: reapresenta o Flash sem o fantasma do último filme e ancora a fase espacial do DCU em um evento que conecta Lanternas, velocistas e, futuramente, o Caçador de Marte. A série ainda promete revelar, no episódio oito, o assassino por trás do uniforme rasgado. Até lá, cada centésimo de segundo vira pista — justamente como quer qualquer boa história de velocista.

