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Flagras no set expõem virada estética de Daredevil: Born Again e antecipam dois vilões inusitados

O demolidor pode continuar cego, mas o público enxergou mais do que a Marvel planejava: fotos de bastidores flagraram duas figuras mascaradas e repletas de cor antes vistas apenas nos quadrinhos — o serial killer Muse e o mafioso Rose, herdeiro conturbado do Rei do Crime. A dupla desponta como principal mudança de rota em “Daredevil: Born Again”, série que retoma as filmagens após a troca de roteiristas e promete chegar ao Disney+ em 2025.

O detalhe que mais chama atenção não é quem são os personagens, mas como eles aparecem. Cenas noturnas exibem graffiti sangrento, rosa roxa pendurada na lapela e figurinos quase carnavalescos — um contraste violento com a paleta escura da era Netflix. A mensagem é direta: o braço urbano do MCU não quer mais se esconder na sombra realista, e sim disputar espaço visual com as fases cósmicas que já preparam o terreno para King Thanos e outras ameaças multiversais.

Muse e Rose empurram o Demolidor para a linha fina entre arte e crime

Muse, nos gibis, é um assassino performático que transforma vítimas em instalações de rua. A escolha reforça o clima de horror psicológico que a Marvel vinha evitando desde “Cavaleiro da Lua”. A série, porém, aproveita o lado pop do vilão: o ator foi visto coberto de tinta neon, filmando em frente a um mural que exibia fragmentos da palavra “justice” rasgada — pista de que a arte macabra pode virar manchete dentro do enredo e jogar a opinião pública contra o Demolidor.

Já Rose, alter ego de Richard Fisk, sinaliza conflito familiar direto com Wilson Fisk. Fontes de produção confirmam gravações de uma cena em que o novo mafioso pisa nos escombros do Harlem Museum, sugerindo que Kingpin perderá o controle de parte de Nova York. A presença do filho rebelde cria um triângulo dramático: Matt Murdock, dividido entre derrubar o pai tirano e impedir que o herdeiro seja pior.

Virada de tom responde a queixas de fãs e à estratégia “rua vs. cosmos” da Marvel

Quando a primeira versão de “Born Again” foi parcialmente descartada, executivos temiam repetir a crítica de “She-Hulk”: muita fala de processo, pouca ação. O novo showrunner, que trabalhou em “The Punisher”, teria recebido carta branca para adotar vilões visualmente marcantes — sem abrir mão do enquadramento claustrofóbico que consagrou a série original.

O resultado já se reflete nos bastidores. Equipes de arte expandem cenários externos, invertendo a lógica de corredores e telhados. A meta é simples: permitir que o Demolidor ainda lute a poucos metros do chão, mas contra antagonistas cuja iconografia possa estampar brinquedos e pôsteres, condição quase obrigatória desde que a Marvel encerrou o ciclo dos Vingadores clássicos e precisou diversificar linhas de produtos.

Para além do marketing, a escalada cromática prepara terreno narrativo: se o MCU vai mesmo contrapor reis — de Thanos a Fisk —, faz sentido exibir o submundo nova-iorquino em cores agressivas antes de conectá-lo a arcos maiores da Fase 6. O espectador pode até não notar de primeira, mas cada pingo de tinta que o sanguinário Muse espalha no cenário marca também o limite de quanto realismo a Marvel está disposta a sacrificar para manter suas ruas interessantes.

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