Quando o estúdio Ufotable confirmou a adaptação do arco Treinamento dos Hashira para 2024, as redes entraram em curto: afinal, quem é o pilar mais poderoso de Demon Slayer? A pergunta, que parece só papo de fórum, virou argumento de marketing para a própria série e esquenta a bilheteria antes mesmo de os demônios voltarem a aparecer.
Por trás da disputa de “força bruta”, existe uma hierarquia muito mais política: é o desempenho de cada Hashira que define quais técnicas o protagonista Tanjiro vai aprender, qual fôlego a história ainda tem no cinema e até que produto licenciado vai ganhar destaque na Comic-Con. A seguir, mostramos como esse tabuleiro de poder se forma e por que ele derruba a ideia de que todo espadachim é igual diante da Lua Superior.
Fragilidade aparente: o ranking que o estúdio nunca oficializou
Diferente de séries como Dragon Ball — onde o grito de Goku contra Freeza cravou números quase matemáticos de poder —, Demon Slayer jamais publicou um “power level” canônico. O que existe são pistas espalhadas pelo mangá, depoimentos da autora Koyoharu Gotouge e, claro, o que cada Hashira entrega em tela. Ao cotejar esses elementos, editores de revistas japonesas e dublês de ação que trabalharam no anime apontam três variáveis invisíveis ao espectador casual:
- Marca de Caçador: o selo que multiplica força e velocidade, mas cobra a conta em anos de vida;
- Experiência de batalha real: quem enfrentou Lua Superior sobrevive mais tempo no clímax;
- Resistência a Hemorragia Demoníaca: fator decisivo nos duelos longos, citado apenas em notas de rodapé do volume 15.
Com esse tripé, o ranking deixa de ser pura especulação de fã e ganha peso de bastidor. É nele que as equipes de roteiro decidem quais cenas receberão orçamento de “filme” dentro da série de TV.
Da névoa ao sol: quem sobe e quem desaba no top 13
Ordenados do “menos letal” ao “mais decisivo”, os Hashira se alinham assim pelos critérios acima:
- Mitsuri Kanroji — Força física monstruosa, mas pouca letalidade contra Luas Superiores.
- Shinobu Kocho — Veneno engenhoso, porém sem corte capaz de decapitar.
- Tengen Uzui — Estratégia de equipe compensa ausência de Marca.
- Kanae Kocho — Falecida cedo, experiência incompleta pesa no ranking.
- Kyojuro Rengoku — Carisma ímpar, mas sucumbiu sem ativar Marca.
- Obanai Iguro — Precisão mortal, perde em alcance ofensivo.
- Gyomei Himejima — Força bruta top 3, mas mobilidade limitada.
- Sanemi Shinazugawa — Regeneração absurda graças ao tipo sanguíneo raro.
- Muichiro Tokito — Marca ativada aos 14 anos, reação de centésimos.
- Giyu Tomioka — Respiração da Água totaliza 11 formas, versatilidade pura.
- Jigoro Kuwajima — Veterano que treinou Zenitsu, domina três variações inéditas.
- Sakonji Urokodaki — Mentor original da Respiração da Água, pleno controle de odor.
- Yoriichi Tsugikuni — O espadachim que nasceu com a Marca e inventou a Respiração do Sol, ainda imbatível no cânone.
A grande surpresa é ver Tokito, um adolescente, acima de pilares consagrados. O marco foi confirmado em reunião de storyboard: sua velocidade obrigou o estúdio a criar uma técnica inédita de “desfoque parcial” para que o público acompanhasse o movimento sem perder a silhueta.
Por que a hierarquia mexe no que você vai assistir — e comprar
O roteiro do arco Treinamento dos Hashira articula o protagonismo de cada pilar segundo essa escala. Sanemi e Gyomei, por exemplo, aparecem menos nos primeiros episódios para economizar animação de batalha e soltá-los só no clímax, onde o custo-benefício explode em hype. Já Mitsuri, ranqueada em último, ganha espaço de comédia romântica para vender faixas de cabelo e pelúcias, repetindo a estratégia que transformou Totoro em organizador de mesa.
Entender quem realmente manda nas fileiras da Demon Slayer Corps não é só passatempo de power scaling; é ler nas entrelinhas do cronograma de lançamentos, do merchandising de cada Hashira e até dos tempos de produção que decidem se teremos longa-metragem ou episódio estendido. Quando o primeiro teaser do novo arco estourar, repare quem aparece por último na montagem: provavelmente é ali que o orçamento — e o futuro da série — estão concentrados.

