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O “lapso” de James Gunn ao anunciar Lanterns já entregava a virada Amarela de John Stewart

Quando James Gunn exibiu, em janeiro de 2023, o slide que inaugurava a fase “Deuses e Monstros” do novo DCU, quase todo mundo só viu o naming econômico — “Lanterns”, sem o adjetivo “Green”. Mas a ausência de cor, agora se percebe, era a cor mais gritante do quadro: a série deve culminar com John Stewart rendido ao espectro do medo, virando membro da Tropa Amarela antes mesmo da segunda temporada.

A pista, reunida por fãs no Reddit após fotos de props vazarem neste mês, reforça o rumor de bastidores de que Hal Jordan seguirá como “o” Lanterna verde no live-action, enquanto Stewart testará o limite ético do anel assimétrico já visto no set, como adiantado no artigo Anel assimétrico de John Stewart expõe a nova regra dos Lanternas. O twist, que parecia frescor de roteiro, estava desenhado no material oficial havia dois anos.

Slide deck de 2023 já trocava o verde pelo âmbar

Entre as 11 artes conceituais divulgadas por Gunn, apenas a de Lanterns recebeu fundo âmbar — não esmeralda — e lettering branco. Na época, a cor foi lida como escolha neutra; hoje, ganha novo sentido: o tom coincide com o auréolo amarelado do anel que aparece nas fotos dos dublês de Stewart.

Segundo colaboradores que trabalharam no vídeo de anúncio, cada slide precisou passar por aprovação cromática para evitar confusão com logotipos clássicos. Mesmo assim, Gunn teria rejeitado a paleta verde tradicional. O detalhe foi visto como capricho estético, mas agora sustenta a hipótese de que o produtor queria sinalizar a existência da Sinestro Corps sem citar nomes.

John Stewart foi preparado para a tentação do medo

O roteiro descrito internamente como “True Detective no espaço” mantém Stewart e Hal em uma investigação de assassinato (já explorada no texto Assassinato de Hal Jordan vira eixo político do DCU). A diferença é que, nesta leitura, o crime brutal funcionará como gatilho para Stewart questionar se a força de vontade basta diante da crueldade cósmica.

Anel assimétrico não é only style, é prenúncio

O prop master da produção confirmou que o design irregular do anel de John não replica 360º o símbolo clássico. Falta um dos “braços” da lanterna — ausência que permite alojar um cristal de quartzo âmbar usado para efeitos práticos de iluminação no set. A peça dupla função não só facilita a troca de cor em pós-produção como indica, diegeticamente, que o anel já está “rachado” pela influência do medo.

Outro indício é o slogan interno “Beware His Mind”, variação de “Beware My Power” que vazou em folhas de chamada. A frase brinca justamente com o mote da Tropa Amarela — “You are afraid” — sugerindo que o arco de Stewart vai do trauma de combate à conversão em soldado de Sinestro.

Por que a virada muda o tabuleiro do novo DCU

Ao colocar um herói simbólico para o público negro flertando com a cor amarela, Gunn reverte a lógica moral da franquia sem demonizar o personagem. Isso abre espaço para Hal Jordan recuperar protagonismo sem precisar “roubar” o holofote de Stewart, respondendo a críticas que rotulavam o piloto como herói padrão branco em detrimento da representatividade.

Além disso, a manobra cria uma ponte natural com outros projetos do estúdio. O filme “Superman 2”, que escalará heróis de médio alcance para manter Clark no topo, pode recorrer aos Lanternas Amarelos como ameaça global, como discutido em Superman 2 escala heróis médios para deixar Clark no topo. Já o tom sobrenatural liberado pelo Batman de Matt Reeves dá licença poética para que o medo físico e o psicológico se encontrem em crossover futuro.

Por fim, o timing explica o silêncio da HBO Max sobre a segunda temporada — cautela estratégica para não estragar o choque, como apontado em Silêncio da HBO Max. Se tudo correr como o slide já sugeria, a virada amarela de John Stewart não será surpresa; será apenas o próximo movimento de um plano pintado, ironicamente, a cores bem vivas desde o início.

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