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Transformers resgata sua linha mais polêmica e neon para celebrar 20 anos de “Kiss Players”

Primeiro foi só um teaser em japonês; depois, fotos em alta revelaram três miniaturas G1 reluzindo como se tivessem mergulhado num balde de tinta neon. A Takara Tomy confirmou nesta quinta (11) o retorno de “Transformers: Kiss Players”, linha lançada em 2004 que unia robôs clássicos a ilustrações de garotas em estética idol — e que virou sinônimo de controvérsia entre fãs.

O revival chega em edição limitada de 20º aniversário: Convoy, Hot Rodimus e Autorooper ganham pintura metalizada, novos acessórios cromados e bases acrílicas com as personagens Melissa, Marissa e Shaoshao desenhadas por Hidetsugu Yoshioka. É a primeira vez que o selo reaparece desde 2007, sinalizando que a fabricante quer transformar escândalo antigo em fetiche de colecionador premium.

Takara testa o “ponto de saturação” da nostalgia

Em 2004, “Kiss Players” tentou atrair dois públicos ao mesmo tempo: os saudosistas da Geração 1 e os otaku que consumiam figuras de meninas estilizadas. A ideia era que cada Autobot recuperasse energia após um beijo da parceira humana, argumento que rendeu críticas por sexualizar personagens adolescentes. Mesmo assim, os lotes iniciais se esgotaram no Japão graças ao acabamento metálico e às tiragens baixas — estratégia de escassez que hoje inspira desde o set limitado de Sailor Moon na NYCC até a ofensiva da LEGO com Naruto.

Duas décadas depois, a aposta é dupla: vender nostalgia, mas também medir se o fandom amadureceu o bastante para abraçar um produto que já foi “tóxico”. Internamente, a linha servirá de termômetro para coleções adultas de preço elevado. Cada set custará 11 000 ienes (cerca de R$ 380) e só poderá ser reservado via loja on-line oficial por 30 dias — uma janela curtíssima que pressiona a decisão de compra.

Impacto global e reflexo no mercado brasileiro

No Ocidente, a Hasbro ainda não cravou se trará o trio, mas distribuidores independentes confirmaram cota mínima para América do Norte e Europa. O Brasil, historicamente atendido por importadores de niche, deve sentir o efeito em revendas que já operam no limite da taxação. O retorno de “Kiss Players” coincide com o momento em que a Netflix resgata clássicos como Dragon Ball, reforçando a corrida por IPs nostálgicas com apelo multigeracional.

Para colecionadores, o detalhe que pode passar despercebido é o tipo de plástico usado: a Takara trocou o ABS original por um composto híbrido que aceita camadas de verniz transparente sem amarelar — melhoria que eleva o custo, mas garante longevidade às cores berrantes que fizeram fama na linha. Se a edição de 20 anos vender rápido, fontes próximas à divisão de design sugerem que variantes de cores “night parade” (preto fosco com luminescência) já estão prontas para 2025.

Mais do que lembrar um capítulo excêntrico, a jogada coloca à prova o limite da memória afetiva em tempos de licenciamentos agressivos. Se o fandom der o beijo da reconciliação, a Takara Tomy ganhará sinal verde para reciclar até seus erros — pintados, claro, em glitter e cromo.

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