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James Gunn sela “Lanterns” como 5ª série multitemporada e instala espinha dorsal do novo DCU na HBO Max

Sem filmar um único quadro, “Lanterns” já entrou para a história da DC Studios: o projeto acaba de receber garantia de mais de uma temporada e tornou-se a quinta produção do novo universo de James Gunn a nascer com contrato de longa duração na HBO Max. É a primeira vez que o estúdio confirma fôlego estendido para uma série que ainda nem tem elenco divulgado.

A decisão veio no momento em que a procura por uma hipotética segunda temporada da atração — medida por buscas, trackings internos e consultas de executivos a parceiros internacionais — atingiu o ponto mais alto desde o anúncio do reboot. Na prática, Gunn usa o hype verde dos Lanternas como cimento para manter o DCU de pé enquanto acerta a dança de filmes afetados pela recente fusão com a Skydance.

Cinco séries longas antes do primeiro filme novo chegar aos cinemas

Com “Lanterns” na prateleira de multi-temporadas, o estúdio fecha um quinteto que inclui “Peacemaker”, “Waller”, “Creature Commandos” e “The Penguin” — esta última, mesmo enquadrada como Elseworld, foi renovada nos bastidores para segurar a fatia adulta do público até que o Batman do DCU fique pronto. Em comum, todas nasceram como apostas de baixo custo relativo e alto potencial de retenção na plataforma.

O cálculo interno é simples: cada temporada extra garante novos lotes de assinantes por pelo menos 18 meses, período superior ao ciclo de engajamento que um filme proporciona. A aposta responde à ordem da Warner Bros. Discovery de turbinar o ARPU (receita média por usuário) da HBO Max após a queda de 12% no último trimestre. E, de quebra, cria espaço para Gunn acomodar reescritas de roteiro em longas como “Superman: House of El”, detalhadas quando o chefão precisou trancar a lista de 10 filmes durante a negociação com a Skydance.

Por que “Lanterns” virou o termômetro interno da DC Studios

Entre todos os títulos, “Lanterns” carrega o risco-retorno mais alto: envolve efeitos visuais complexos, dois protagonistas (Hal Jordan e John Stewart) e a expectativa de ligar o espaço cósmico ao solo norte-americano do DCU. Mesmo assim, a métrica de interesse — que combina menções em rede social, pesquisas em sites de fãs e consultas de licenciamento — superou os índices obtidos por “Peacemaker” após sua primeira temporada.

O movimento anima investidores porque sugere que o público aceita esperar por um novo Flash ou Superman desde que haja histórias serializadas ligadas ao mesmo tabuleiro. Isso explica a pressa de Gunn em introduzir vilões do velocista escarlate, fato mostrado quando ele escalou o terceiro antagonista antes mesmo de definir o herói. Os Lanternas, nesse contexto, funcionam como fio-terra narrativo: patrulham a Terra, investigam um crime planetário e podem surgir como reforço em qualquer filme sem exigir longa explicação prévia.

Fusão com Skydance aperta calendário e empurra peso para as séries

Executivos ouvidos pela reportagem descrevem a fusão com a Skydance como um “cinto de utilidades”: ela libera caixa para blockbusters, mas exige cortes imediatos. Entre as baixas recentes estão quatro projetos anunciados em 2023, engavetados para abrir espaço a produções de retorno comprovado, caso de “Lanterns”. O enxugamento foi sentido por quem acompanhava “Booster Gold” e “Paradise Lost”, já deslocados para depois de 2027.

A lógica é que cada série multitemporada amortece lacunas nos cinemas e empacota o DCU como produto contínuo — algo que a Marvel demorou anos para articular. Gunn, agora, mira estreia de “Lanterns” no fim de 2025, com uma writers’ room já de olho na segunda leva de episódios. Se tudo correr como nas projeções de audiência, o slogan “luz no universo” pode acabar descrevendo menos os anéis dos heróis e mais o próprio futuro financeiro da franquia.

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