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James Gunn escala o terceiro vilão do Flash antes do herói e muda a largada do DCU

O novo universo da DC nem apresentou sua versão do Flash, mas já sabe quem vai tentar derrubá-lo: depois de um velocista reverso e de um pirata climático, um terceiro vilão do herói acaba de ser escalado para o reboot capitaneado por James Gunn, segundo fontes ligadas ao casting em Los Angeles. O movimento contraria o manual tradicional de super-heróis, que primeiro procura um rosto para o manto, e sinaliza uma inversão de lógica: o estúdio decide quem o protagonista vai enfrentar antes mesmo de definir quem vai vesti-lo.

A abordagem acentua a transição para o DCU — rascunhado em “Deuses & Monstros” — e joga luz sobre uma cartada pouco comentada: construir o Flash a partir de sua galeria de antagonistas, não de suas tragédias pessoais. Em uma indústria que costuma apresentar poderes e origem para depois cercar o mocinho de vilões, Gunn parece querer que o velocista chegue já rodeado de ameaças, poupando tempo e explicações num calendário apertado.

Três peças no tabuleiro e nenhuma máscara vermelha

O primeiro a ser contratado foi um ator para viver o Flash Reverso, cérebro por trás da morte da mãe de Barry Allen nos quadrinhos. Na sequência, outro nome assinou para o papel de Capitão Frio, líder informal dos Renegados. Agora, o terceiro contratado — mantido em sigilo contratual — viverá o Mago do Tempo, vilão que manipula correntes temporais e costuma subverter as investigações do herói.

As três escolhas têm algo em comum: todos atuam em grupo nos quadrinhos. Na prática, Gunn monta o esqueleto de uma Rogues Gallery funcional para entrar em cena de imediato, seja numa série derivada ou numa ponta no filme do Superman, tal qual o diretor fez com Bruce Wayne em “O Esquadrão Suicida”. A estratégia reduz dependência de um astro carismático para o protagonista — lição tirada dos impasses jurídicos que cercaram Ezra Miller.

Risco calculado após o enxugamento de projetos

Internamente, a decisão de adiantar os vilões surge logo depois de Gunn congelar quatro produções do capítulo 1. Ao redistribuir recursos, o estúdio testa histórias curtas de antagonistas, potencialmente plugáveis em filmes maiores ou especiais de streaming, postura parecida com o selo Elseworlds que abrigará o terror corporal de Clayface em Gotham. A prioridade, portanto, passa a ser versatilidade de elenco: vilões podem aparecer em “Lanterns”, “Waller” ou até em uma cena pós-crédito do próprio “Superman: Legacy”.

Hollywood assiste com ceticismo. Tradicionalmente, é o protagonista — e seu contrato de múltiplos filmes — que ancora a narrativa. A aposta de Gunn vira o jogo: vilões bem escalados atraem público fiel sem amarrar o estúdio a um único ator titular. Se o futuro Flash não funcionar, uma nova face pode assumir o uniforme sem abalar a mitologia já introduzida.

O detalhe que passa batido: a lição de “Guardiões”

Quem trabalhou com Gunn na Marvel aponta um paralelo silencioso. Em “Guardiões da Galáxia”, o diretor plantou o Colecionador, Ronan e Thanos antes de amarrar a equipe ao grande conflito. Resultado: universo coeso e vilões que pareciam viver fora da órbita dos heróis. Na DC, a lógica se repete com o Flash. Vilões entrando em cena primeiro sugerem um herói definido por seu repertório de obstáculos — um atalho para diferenciar Barry de Superman e Batman sem repetir a cartilha multiversal usada em “The Flash” de 2023.

Se der certo, o público verá um velocista estrear já correndo contra um pelotão completo, dispensando o tradicional “começo humilde”. Se falhar, Gunn terá rascunhado um time antagonista pronto para medir forças com qualquer velocista que ele escalar depois. De um jeito ou de outro, a largada do DCU indica que, desta vez, chegar em último pode ser o melhor modo de vencer a corrida.

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