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James Gunn enxuga o capítulo 1 do DCU e encosta quatro projetos: o que muda na rota de “Deuses & Monstros”

O calendário que James Gunn apresentou há pouco mais de um ano, sob a etiqueta pomposa de “Gods & Monsters”, acaba de perder quatro peças. Em atualização interna enviada a equipes de produção, Warner e DC Studios rebaixaram “Booster Gold”, “Paradise Lost”, “Waller” e “The Authority” ao status de “em espera”, e retiraram os títulos da lista de prioridades até 2027.

Num estúdio onde filme sem cronograma é filme que não existe, o movimento acende alerta: o primeiro capítulo do novo DCU, que já prometeu dez lançamentos e um cronograma orgulhosamente serializado, agora caberia em uma única prateleira de Blu-ray. A manobra confirma o que fontes relatavam desde março: Gunn prefere concentrar força em apostas menos numerosas, enquanto testa terreno com produções alternativas como o terror corporal de Clayface, carimbado como projeto Elseworlds.

Menos volume, mais controle: a virada de chave de Gunn

Quando anunciou “Gods & Monsters”, o executivo e roteirista mirava a lógica da Marvel de dez anos atrás: oferecer linha de montagem cronometrada para que cada roteiro alimentasse o seguinte. Em um cenário de bilheterias pós-pandemia e de streaming saturado, o estúdio percebeu que abarrotar o calendário já não rende o mesmo buzz — e, pior, dilui orçamento num momento em que a Warner ainda sente o baque da fusão com a Discovery.

Por isso, segundo interlocutores próximos à DC Studios, Gunn escolheu concentrar os esforços em três peças-âncora: o filme “Superman: Legacy”, recentemente rebatizado para “Superman: House of El”; a série “Lanterns”, cujo showrunner já adianta que Hal Jordan pode sequer aparecer na segunda temporada; e “Supergirl: Woman of Tomorrow”, que serve de teste para filmes focados em personagens femininas num universo ainda dominado por Batman e seu traumático carisma.

Quatro títulos na geladeira e o recado por trás de cada um

Booster Gold era pensado como aposta de comédia de viagem no tempo para o streaming; sem dados sólidos de audiência em séries de herói, acabou cortado antes de contratar elenco. Já Paradise Lost, prelúdio político de Themyscira, esbarrou na incerteza sobre o futuro da Mulher-Maravilha de Gal Gadot — uma decisão herdada do antigo regime que Gunn preferiu reavaliar do zero.

No caso de Waller, continuação direta de “Peacemaker”, o problema é a agenda de Viola Davis e a percepção de que a marca pode saturar se voltar antes de “Peacemaker” 2. Por fim, o ambicioso The Authority dependia de orçamento acima de US$ 200 milhões e efeitos de escala planetária — luxo adiado até que “Legacy” prove que o público ainda compra a estética super-serious da DC após o fiasco de “The Flash”.

Janela de lançamento encolhe e expõe aposta em Elseworlds

Com o recuo, o primeiro capítulo do DCU passa a ter quatro lançamentos confirmados até 2027: “House of El”, “Lanterns”, “Supergirl” e o longa de horror “Swamp Thing”. O vácuo abre espaço para projetos fora de cronologia, estratégia que Gunn chama de “valvula de escape criativa”. O selo Elseworlds já abriga “Joker: Folie à Deux”, “The Batman 2” — que deve introduzir Hugo Strange com Charles Dance, como antecipamos em outra reportagem — e agora o próprio “Clayface”.

Na prática, o enxugamento revela um estúdio em período de stress test: lançar menos para errar menos. Se “House of El” entregar bilheteria sólida, os quatro projetos hoje congelados podem voltar à mesa com novo embalo — ou dar lugar a ideias ainda mais fora da curva, como um filme centrado no Brainiac citado em comentário recente do ator. Até lá, a ordem é conter dispersão: todo dólar poupado agora precisa aparecer na capa de um pôster que convença o público de que, desta vez, o DCU já começa com a casa em ordem.

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