A tempestade de rumores que apontava o engavetamento de “The Authority” – um dos cinco longas anunciados para o Capítulo 1: Deuses & Monstros – durou pouco. Em reunião interna com executivos da Warner Bros. Discovery, o copresidente da DC Studios, Peter Safran, afirmou que o projeto “continua ativo e prioritário”, desmontando a narrativa de que o estúdio desistira da adaptação sobre o grupo brutal de meta-humanos criado por Warren Ellis.
O desmentido não mira apenas a boataria, mas a percepção de fragilidade que cresceu depois de cortes recentes, como o encolhimento da fase inicial relatado em James Gunn enxuga o capítulo 1 do DCU. Manter “The Authority” respirando virou questão de honra: se o filme falhar, qualquer aposta fora do eixo Batman-Superman corre risco.
Negativa chega enquanto outros títulos perdem força
Safran foi incisivo porque sabia do contexto: desde janeiro, quatro projetos do mesmo pacote – entre eles a série “Paradise Lost” e o longa “Swamp Thing” – tiveram suas salas de roteiristas fechadas ou cronogramas empurrados. A própria dupla Gunn-Safran já admite que o calendário original, divulgado em 2023, não cabe mais no bolso nem na agenda da companhia.
Nesse cenário encurtado, “The Authority” despontava como o próximo a rodar. Diferente de “Superman: Legacy”, que carregará a largada comercial do novo DCU, a equipe anti-heróica ainda não tem elenco, diretor ou data de estreia. O espaço nebuloso alimentou especulações que se intensificaram quando a fusão da Warner com a Skydance entrou no radar, tema explorado em Fusão com a Skydance força James Gunn a trancar lista de 10 filmes.
Por que “The Authority” virou barômetro de confiança
Diferentemente de “Lanterns”, que Gunn já chamou de “espinha dorsal” do universo compartilhado, o longa sobre Jenny Sparks & cia. serve a outro propósito: provar que personagens de nicho podem ancorar bilheterias se houver visão autoral clara. É o mesmo raciocínio que levou o estúdio a bancar o terror adulto de “Clayface” com classificação 18. Se der certo, abre‐se espaço para apostas ainda mais distantes do imaginário clássico da DC.
Executivos consultados calculam que o orçamento planejado – abaixo de 120 milhões de dólares – facilita a continuidade mesmo num quadro de disciplina financeira dura. Além disso, a marca violenta de “The Authority” conversa com a estratégia de diversificar tons: enquanto “Superman: House of El” (novo título da série do Homem de Aço) busca a leveza, a equipe de anti-heróis entregaria crítica social embalada por ação extrema, elemento que James Gunn usou em “O Esquadrão Suicida”.
O detalhe que escapou ao público
Uma fonte próxima às negociações revela que o roteiro em desenvolvimento prevê participação pontual do personagem Midnighter numa cena-gancho com o Batman do futuro filme “The Brave and the Bold”. A costura confere a “The Authority” função de ponte interna, algo que nenhum dos demais cortes conseguiria substituir sem reescrever todo o plano matricial.
Safran, portanto, não apenas salvou um título. Ele sustentou a mensagem de que o DCU ainda joga para vencer em vários tabuleiros, mesmo sob pressão de reestruturação e cortes. Para fãs e investidores, a sobrevivência de “The Authority” indica que a era de anúncios sem entrega – fantasma que assombrou as gestões anteriores – precisa, enfim, ficar no passado.

