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Marvel começa a apagar “The Marvels” e prepara retcon discreto para salvar a Fase 6

A Marvel não precisou de anúncio formal para dar o primeiro passo rumo ao esquecimento de “The Marvels”. Nas novas diretrizes de licenciamento enviadas a parceiros de brinquedos e streaming, o estúdio removeu a exigência de usar cenas ou uniformes específicos do longa de 2023 — justamente os que amarravam a trama a eventos futuros do MCU.

O recuo fala mais alto do que qualquer coletiva de imprensa: ao esvaziar a presença visual e narrativa do filme de Brie Larson, o estúdio sinaliza que pretende reescrever — ou simplesmente ignorar — partes da história para evitar que o fracasso de bilheteria continue contaminando a cronologia.

Produtos licenciados entregam o sumiço gradual do filme

Desde fevereiro, fabricantes de action figures notaram uma mudança inusitada nos contratos: peças que reproduziam o uniforme danificado de Carol Danvers na batalha final foram vetadas. Em seu lugar, voltou a ser obrigatório o traje clássico visto em “Vingadores: Ultimato”. Segundo representantes do setor de brinquedos, a ordem veio “para alinhar a marca ao futuro audiovisual”.

Plataformas de streaming também receberam orientações distintas. A novelização interativa de “The Marvels”, bancada por um serviço americano de e-books, perdeu dois capítulos que citavam diretamente o salto temporal para “Avengers: Kang Dynasty”. A justificativa oficial menciona “coesão editorial”, mas executivos ouvidos pela reportagem confirmam pressa em cortar ganchos que não serão mais aproveitados.

O mesmo movimento ocorreu com a linha de LEGO prevista para 2026. Um ranking interno — vazado e analisado em nossa matéria sobre a coleção LEGO da Marvel — já não inclui nenhuma construção ligada à Estação Espacial S.A.B.E.R., cenário vital de “The Marvels”.

Multiverso vira ferramenta oficial de esquecimento seletivo

Dentro dos roteiros em desenvolvimento, o estratagema escolhido para o retcon é simples: multiverso. Argumentistas de “Avengers: Secret Wars” trabalham com a ideia de que certos eventos de “The Marvels” ocorreram em uma ramificação que “colapsará” antes da reunião final dos heróis. O expediente livra o estúdio de contradições sem precisar ressuscitar bilheteria.

A manobra abriu espaço para prioridades mais rentáveis. A introdução do primeiro mutante gay na nova fase dos X-Men, antecipada por nossa reportagem, ganhou páginas extras no roteiro. Já Ms. Marvel, que estreou no cinema justamente em “The Marvels”, deve reaparecer em uma série curta no Disney +, mas com ênfase no time juvenil que o estúdio tenta formar desde “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa”.

Pressão semelhante pesou sobre a permanência de Brie Larson. Fontes próximas à produção contam que a atriz ainda tem contrato, mas seu futuro pode se limitar a participações em realidades alternativas — solução análoga ao que os irmãos Russo aplicaram ao Capitão América, destrinchada em análise anterior.

Efeito dominó redefine a agenda do MCU até 2027

Ao desidratar “The Marvels”, a Marvel precisou redistribuir apostas. “Eternos 2”, anunciado como ponto de partida da Fase 7, foi puxado para tapar lacuna de cronograma e, como revelamos em apuração exclusiva, teve o orçamento revisto para cima. Já “Blade”, cujo roteiro desmoronou mesmo após exigência mínima de Kevin Feige, perdeu de vez a janela de inverno de 2025 — reflexo direto de um calendário que não comporta mais deslizes caros.

A movimentação favoreceu ainda projetos paralelos: o novo traje do Rhino, divulgado nesta semana e detalhado em reportagem especial, passa a ter estreia garantida em live-action como antagonista de “Homem-Aranha 4”. Internamente, executivos apontam o herói de Tom Holland como “porto seguro” para recuperar público após o baque de “The Marvels”.

Cinicamente, o estúdio assume que nem todo fracasso precisa virar cicatriz visível. Em vez de reparar o filme no discurso, a Marvel optou por cortar a circulação de seus sinais vitais na cultura pop — do boneco à citação em roteiro. Se nada der errado, “The Marvels” sobreviverá apenas como realidade descartável de um multiverso onde a bilheteria também naufragou.

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