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Marvel faz do primeiro mutante gay o pilar do reboot dos X-Men

O roteiro preliminar do novo filme dos X-Men, que Kevin Feige pretende rodar ainda em 2025, reserva o posto de protagonista a um mutante gay – a primeira vez que a Marvel coloca um herói assumidamente LGBTQIA+ no comando de uma equipe de super-humanos no cinema. O movimento, confirmado por fontes próximas à sala dos roteiristas, não é pontual: o arco desse personagem sustentará o conflito central e abrirá espaço para que toda a franquia se reposicione após o desgaste narrativo do Multiverso.

Por trás da escolha, há uma meta dupla. Em um momento em que o MCU perdeu tração de bilheteria e de crítica, a Marvel quer provar relevância social sem depender de multiversos inflacionados. Ao mesmo tempo, o estúdio ensaia uma correção de rota na representação queer – algo que Eternos prometeu, mas não sustentou depois da recepção morna.

Escolha mira bilheteria e crítica ao mesmo tempo

A proposta não nasceu apenas de uma visão progressista. Pesquisas encomendadas pelo estúdio indicam que a geração Z — parcela que mais abandonou as últimas fases da Marvel — taxa representatividade e coerência de roteiro como fatores decisivos na compra do ingresso. O balanço mostrou que histórias centradas em identidade atraem público fora da bolha nerd, mas só funcionam quando o personagem gay ocupa papel orgânico, não cameo.

Funciona também como antídoto à sensação de “mais do mesmo” que permeou as estreias pós-Ultimato. Diferente do Capitão América moralmente absoluto que os Irmãos Russo desconstruíram, o mutante gay terá dilemas que cruzam a esfera política: o roteiro discute a legalização do Gene X e o lobby governamental para registrar portadores — tema que ecoa legislações reais contra direitos LGBTQIA+. Assim, o filme pretende devolver aos X-Men o teor de comentário social que os quadrinhos carregam desde 1963.

Quem pode vestir o uniforme e por que Iceman virou favorito

Entre as opções na mesa dos executivos aparecem Bobby Drake, o Iceman, e Jean-Paul Beaubier, o Northstar. Ambos são canônicos como gays nos quadrinhos, mas o gelo de Drake esfria qualquer dúvida em Hollywood: é personagem reconhecível pelo grande público, carregando 60 anos de história e presença em séries animadas, brinquedos e na trilogia de Bryan Singer. Levantamento interno indica que 72 % dos espectadores lembram do Iceman ao ver apenas a silhueta congelada — awareness que corta custos de marketing.

A escolha de um nome A-list para viver Bobby, contudo, virou impasse. A Marvel avalia atores jovens que possam assinar para múltiplos filmes, evitando o problema que atrasou produções como Black Panther 3 após o recast de T’Challa. Em contrapartida, grupos de advocacy pressionam pelo elenco de um ator abertamente gay, reforçando a autenticidade do projeto. Se o acordo travar, Northstar volta ao páreo: ele exigiria menor orçamento em efeitos — seu poder de voo supersônico é mais econômico que esculturas de gelo em CGI.

Independentemente do nome, a Marvel já delimitou o impacto futuro. O protagonista será peça-chave na primeira formação dos Vingadores pós-“Secret Wars”, explicando por que a arte vazada de Avengers: Doomsday destaca representatividade como mote de campanha. Tudo converge para a Fase 7, planejada como “Era da Diversidade” nos quadros de planejamento interno. Se a execução corresponder à ambição, o estúdio não apenas criará o primeiro X-Man gay do MCU, mas também um novo termômetro para blockbusters que queiram se dizer contemporâneos.

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