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Sumiço de “Wonder Man” de mais uma plataforma escancara a freada da Disney nos gastos do MCU

Sem aviso e sem alarde, a Disney retirou todos os vestígios de “Wonder Man” de um segundo serviço de streaming na última terça-feira. O sumiço, quatro meses depois de a produção ser arquivada no Disney+, enterra praticamente de vez a estreia do herói e expõe a guinada da empresa para reduzir custos no universo Marvel.

Nos bastidores, produtores que ainda aguardavam sinal verde para retomar as gravações receberam recado curto: os cenários em Los Angeles serão desmontados até o fim do mês e parte da equipe técnica migrou para “Daredevil: Born Again”. A ordem, segundo apuramos, reflete o novo mantra da chefia: “gravar pouco, lançar menos e cortar rápido”.

Retirada dupla indica hibernação definitiva do projeto

O roteiro de “Wonder Man” — estrelado por Yahya Abdul-Mateen II e com Ben Kingsley reprisando Trevor Slattery — ficou quase pronto antes da greve dos roteiristas. Quando as filmagens pararam em junho de 2023, 35% das cenas estavam captadas; ainda assim, a série sumiu primeiro do Disney+ e, agora, do Hulu. A remoção em cadeia costuma ocorrer apenas com títulos oficialmente encerrados, porque libera a contabilidade para deduzir impairments e abater impostos de produções descartadas.

Na prática, isso significa que o estúdio já não contabiliza “Wonder Man” no pipeline de 2025. Executivos lembram que a Disney pagou US$ 1,5 bilhão em amortizações de conteúdo no ano fiscal passado — valor próximo ao orçamento total previsto para três minisséries do MCU. A ordem interna, portanto, prioriza projetos que dialoguem diretamente com os cinemas, como “Captain America: Brave New World”, enquanto derivações periféricas perdem espaço.

Efeito cascata ameaça plano de vilões para o Disney+

A maior baixa colateral é a figura do antagonista Grim Reaper, que estrearia em “Wonder Man” para compor a ala de vilões televisivos ao lado de Wilson Fisk. Sem ele, a Marvel já mira alternativas: Parker Robbins, o The Hood, citado como peça-chave em recentes roteiros de “Ironheart”, ganhou prioridade e pode assumir espaço deixado pela série cancelada.

Outro sinal do recuo aparece nas campanhas de expectativa para “Avengers: Doomsday”. As peças focam apenas nas equipes centrais — Vingadores, X-Men e Quarteto — e ignoram personagens que viriam do streaming. O corte reforça a leitura de analistas de que o estúdio tenta reconstruir a “Linha do Tempo Sagrada” com menos ramificações, como aponta a prévia de “Deadpool & Wolverine”.

Por que isso importa agora

Se “Wonder Man” realmente morrer na gaveta, será a primeira série do MCU engavetada após iniciar filmagens — rompendo a aura de projeto “à prova de cancelamento” do estúdio. Para investidores, o recado é claro: o streaming perdeu o status de motor do crescimento e virou área de contenção de despesas. Para o público, o alerta é outro: a fase atual do MCU deve encolher antes de expandir, com menos experimentos e mais foco em apostas já testadas nos cinemas.

No curto prazo, a medida pode aliviar o fôlego financeiro da Disney, mas custa à marca justamente o que ela mais precisa neste momento de saturação do gênero: novidade. E, no jogo de super-heróis, ficar parado raramente é uma opção segura.

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