Uma planilha interna de distribuição, vazada nesta quinta (6), lista “Boruto: Two Blue Vortex The Movie” para o verão de 2026 no Japão. É a primeira menção concreta a um longa inédito desde Boruto: Naruto the Movie, de 2015, e confirma que a franquia herdada de Naruto voltará às telonas depois de onze anos de silêncio cinematográfico.
O documento circulou entre exibidoras regionais e foi rapidamente removido, mas não antes de acumular centenas de capturas em fóruns de programadores. O timing não é casual: o mangá Two Blue Vortex chegou às bancas em agosto de 2023 e acaba de entrar no seu primeiro grande arco de batalha, ponto exato em que a Shueisha costuma travar o anime de TV para reservar material — uma decisão que, nos bastidores, já gerava atrito com o estúdio Pierrot.
Longa sinaliza nova divisão de tarefas entre TV e cinema
Produzir filmes originais sempre foi a “válvula de escape” de Naruto quando o anime alcançava o mangá. A diferença, desta vez, é o recorte: o roteiro vazado adapta capítulos canônicos e não uma side-story como nos sete filmes de Naruto Shippuden. Isso sugere que a supervisão de Masashi Kishimoto — hoje escritor principal de Boruto — migrou para o cinema, deixando o seriado de TV livre para fillers menores e para o especial de quatro episódios que celebra os 20 anos da franquia.
A manobra também reduz a dependência da TV Tokyo, que perdeu 12% de share juvenil após a reta final de Bleach: Thousand-Year Blood War. Ao deslocar seu principal material canônico para as salas de exibição, a Shueisha turbina bilheteria, merchandising premium e cria janelas de hype estratégico, algo que estúdios como a A-1 Pictures já fazem com animes originais.
Pierrot corre contra o calendário que já estrangulou Black Clover
Responsável por Boruto e por títulos como Black Clover e Bleach, o estúdio Pierrot encara um quebra-cabeça logístico. A reta final de Bleach está agendada para 2025, enquanto o próximo grande arco de Black Clover pressiona por espaço na grade — problema que já travou a série antes, segundo o nosso alerta sobre o calendário estrangulado do estúdio. Se o longa de Boruto realmente estrear em 2026, a equipe principal precisará iniciar pré-produção ainda este ano, apertando o funil de animadores experientes.
Do ponto de vista financeiro, o filme oferece uma saída elegante: custos altos concentrados em um projeto-evento e possibilidade de coprodução com plataformas de streaming que buscam blockbusters asiáticos para escapar da sazonalidade de assinaturas. O mesmo modelo rendeu à Toei Animation R$ 460 milhões em bilheteria global com One Piece Film: Red.
Um detalhe escondido no vazamento entrega a real ambição
A planilha vazada traz, ao lado do título, a sigla “4XD” — formato de exibição que combina poltronas móveis e efeitos de vento e cheiro. É a primeira vez que um projeto da linha Naruto nasce, desde o roteiro, pensado para esse tipo de sala. Analistas de mercado avaliam que o custo do ticket 4XD, até 40% mais caro, pode empurrar a bilheteria doméstica para perto da casa dos 10 bilhões de ienes, patamar inédito para a saga.
Enquanto a confirmação oficial não chega, o vazamento já cumpre seu papel de teste A/B de interesse. Se o buzz ultrapassar a bolha dos fãs, a Shueisha deve bater o martelo nas próximas semanas — e, silenciosamente, redesenhar a fronteira entre anime semanal e cinema no universo ninja.

