Nem a nostalgia turbinada por Dragon Ball Daima — roteiro inédito que levou Goku de volta à infância — foi suficiente: o balanço fiscal de 2026 da Toei Animation confirma que One Piece voltou a render mais dinheiro do que a franquia criada por Akira Toriyama. A diferença, desta vez, subiu para dois dígitos e põe fim à ideia de “alternância” entre as duas marcas na última década.
O dado preocupa porque não se limita a bilheteria ou streaming; ele soma licenciamento global, parques temáticos e produtos digitais. Em outras palavras, o boneco de Luffy bateu o boneco de Goku em quase todas as prateleiras — num momento em que a série de Oda se prepara para o clímax, como antecipamos quando o Trio Monstro reassumiu o volante do mangá.
Relatório revela buraco de 11 pontos entre as marcas
Segundo o documento encaminhado aos investidores, One Piece respondeu por 31% do faturamento de animação da Toei no ano fiscal encerrado em março, contra 20% de Dragon Ball. Há dez anos, a distância girava em torno de 4 pontos percentuais. O “salto” se explica por três pilares:
- Cinema: One Piece Film Red continuou rendendo em reexibições IMAX e em mercados secundários, enquanto Dragon Ball Super: Super Hero encerrou a cauda longa no segundo trimestre.
- Streaming contínuo: novos episódios semanais de One Piece mantêm a conversa social viva. Já Dragon Ball depende de eventuais especiais.
- Licenciamento premium: de roupas de luxo a cruzeiro temático, a franquia do chapéu de palha firmou 19 acordos internacionais, o dobro do rival.
Merece atenção o indicador de “engajamento digital”, métrica interna da Toei que cruza views em canais oficiais com interações em redes. One Piece cravou 4,7 bilhões de impressões globais; Dragon Ball ficou em 2,9 bilhões, mesmo com a onda de homenagens após a morte de Toriyama em 2024.
Dragon Ball amarga fadiga de produto, mas 2027 pode ser virada de chave
A empresa culpa a “sazonalidade” — eufemismo para hiato criativo. Desde 2018, Goku só aparece em longa-metragem ou em colaborações de jogos. A estreia de Daima elevou a audiência do sábado japonês, porém não gerou arco colecionável robusto. O reflexo vê-se nas prateleiras: as oito figuras de luxo lançadas em 2025 encalharam 18% acima da média histórica.
Executivos já sinalizam correção de rota. O setor de licensing aprovou 12 novos personagens canônicos para 2027, insinuando um “multiverso supervised” que circula nos bastidores. Se vingar, será a primeira grande expansão depois de Super. Ao mesmo tempo, a Bandai Namco prepara um jogo on-line cooperativo que integra narrativas paralelas — tecnologia testada em franquias como Death Stranding.
Enquanto isso, One Piece corre para capitalizar o arco de Elbaf, que, conforme apontamos em análise sobre a aliança inédita montada por Oda, deve acelerar a reta final. Se Luffy chegar ao tesouro antes que Goku ache um novo saiyajin de escala universal, o buraco de 11 pontos pode virar abismo — e a lenda que popularizou o kamehameha terá de provar, mais uma vez, que franquia velha ainda consegue inventar futuro.

