A bilheteria de “Aquaman e o Reino Perdido” encerrou a corrida global em US$ 434 milhões e, pela primeira vez desde a chegada de James Gunn e Peter Safran, a marca DC Studios esbarrou num ponto de fracasso que o MCU só sentiu 13 anos depois de “Homem de Ferro”: um blockbuster que não cobre os próprios custos de produção e marketing.
Mais do que um tropeço isolado, o resultado desmonta o discurso de “fim honroso” para a fase pré-DCU: confirma que o público já desligou o radar para o que soa como resquício do Snyderverso e antecipa uma pressão inédita sobre o filme que deve reabrir o universo, “Superman” (2025). A partir de agora, cada trailer, teaser ou clipe — como os sete de “Lanterns” que vazaram na última San Diego Comic-Con — vira termômetro de confiança do investidor e do fã.
A conta não fecha nem para quem nada além de Atlântida
Os executivos esperavam ao menos repetir o desempenho de “Shazam! Fury of the Gods” (US$ 134 milhões domésticos), mas “Aquaman 2” naufragou em duas frentes críticas:
- Custo afundado — O orçamento oficial de US$ 215 milhões subiu para perto de US$ 300 milhões após refilmagens, segundo analistas de mercado. Com marketing, o break-even estimado era de US$ 600 milhões.
- Desgaste de marca — Apenas 32% do público entrevistado pelo PostTrak declarou “extremo interesse” numa continuação, índice que o MCU só viu despencar com “Eternals” em 2021.
O quadro contrasta com a Marvel, que navegou 25 filmes sem um prejuízo declarado. Foi preciso uma pandemia, a saturação do formato e a recepção morna de “Eternals” para o estúdio de Kevin Feige encarar seu primeiro buraco real. A DC já chega nele antes mesmo de inaugurar oficialmente o novo universo.
Por que isso importa já em 2024
Internamente, fontes descrevem um efeito dominó. O spin-off de “Aço” em 2028, que ganhou fôlego após a promoção surpresa de John Henry Irons em “Superman 2”, pode perder prioridade se o caixa continuar sangrando. O mesmo vale para a aposta em heróis de nicho como o Besouro Azul, reforçado por James Gunn mas ainda sem sequência garantida.
Do lado criativo, a lição mais comentada nos corredores da Warner é cortar de vez o cordão umbilical com a antiga cronologia. Gunn já havia dado o sinal ao escolher um tom híbrido, metade live-action, metade animação — estratégia escancarada no anúncio do primeiro herói animado do DCU. Agora, o tom de urgência mudou: é menos sobre ousadia artística e mais sobre sobreviver ao escrutínio de acionistas que viram três fracassos seguidos (“The Flash”, “Besouro Azul” e “Aquaman 2”).
O detalhe que passa batido: a métrica silenciosa do cinema-score
Enquanto a imprensa martela bilheteria, o dado que mais preocupa a Warner é a nota “B” do CinemaScore — pesquisa feita na saída das sessões nos EUA. O MCU conseguiu manter notas A ou A- até “Eternals”; a DC, porém, repete o B que já assombrava “Batman v Superman” desde 2016. Para os exibidores, um B sinaliza queda de até 67% já no segundo fim de semana, o que fecha portas para extensão de salas premium e corta receita de bilhete médio mais alto.
Essa curva explica por que “Aquaman 2” perdeu 1 600 salas em apenas duas semanas, recorde negativo da franquia. Ou seja: o maior sintoma do colapso não foi o que o público viu no pôster, mas a letra gravada na prancheta dos gerentes de cinema. É ali, longe dos holofotes, que James Gunn precisará mudar a maré antes que as câmeras rodem para “Lanterns” ou que qualquer bastidor de Bruce Wayne pose para outra foto.
Se serviu de consolo, “Eternals” ensinou à Marvel que um tropeço não é sentença — mas também mostrou que ignorar o alerta inicial custa caro. A DC agora tem a vantagem (ou o peso) de aprender três anos antes. O cronômetro corre até julho de 2025, quando “Superman” chegará às telas. Se a nota subir para A, Gunn vira salvador; se repetir o B, Atlântida terá sido apenas o primeiro afogamento.
Acesse diariamente nossas dicas sobre animes e games para não perder nada. Siga também o RadioGeekBR no Facebook!

