James Gunn, copresidente da DC Studios, reconheceu que o estúdio ainda não tirou do papel um detalhe essencial de “The Brave and the Bold” — o filme que vai reintroduzir o Batman no novo DCU. A confissão veio em resposta a um fã nas redes sociais e soou como alarme: o projeto foi anunciado pela Warner Bros. há mais de três anos, mas segue sem roteiro fechado nem diretor.
Além de frustrar quem esperava uma rápida sucessão após “The Batman” de Matt Reeves, o atraso força a DC a revisar a ordem de lançamentos que o próprio Gunn divulgou. Se o Cavaleiro das Trevas não entra em cena a tempo, o resto do capítulo “Gods & Monsters” pode perder a costura prometida entre filmes e séries.
A confissão que escancara o gargalo de criação
Na troca pública, Gunn admitiu que a equipe ainda “procura a história certa” para introduzir Damian Wayne e estabelecer a Bat-Família. Ou seja, nenhum roteirista avançou além de um tratamento inicial, e o estúdio nem sequer sondou elenco. A revelação contrasta com a velocidade de “Superman”, já em filmagem, e com a estratégia de romper um ciclo de 50 anos do herói.
A estagnação decorre, segundo pessoas próximas à pré-produção, de dois fatores: a necessidade de alinhar o Batman a eventos que ocorrem em “Lanterns” e a pressão para não colidir com a continuação do universo paralelo de Reeves. Resultado: o roteiro mudou de mãos três vezes desde 2021, e cada reescrita jogou fora o trabalho anterior.
O efeito dominó no calendário de “Gods & Monsters”
Gunn havia aprovado uma linha do tempo que posiciona “The Brave and the Bold” logo após a série “Lanterns” e antes de “Superman 2: Man of Tomorrow”. Essa sequência garantiria que a primeira aparição de Damian fosse vista como natural, já que o vigilante estaria “operando há anos” quando Clark retornasse. Mas a recente admissão embute uma ameaça semelhante ao que já apontamos sobre a falha de comunicação entre “Lanterns” e “Superman 2”.
Se Batman escorregar para 2028, Lanternas e outros títulos — como “Booster Gold” e “Supergirl” — precisarão alterar diálogos, datas internas e até participações especiais. O DCU, que Gunn jurou manter blindado da fusão Warner-Skydance, corre o risco de enfrentar o mesmo enrosco temporal que a antiga DCEU jamais resolveu.
Por que três anos viraram pó
Quando a Warner anunciou o reboot em 2021, o objetivo era ter o filme pronto para 2025. A fusão corporativa, a troca de chefia criativa e a decisão de incorporar Damian empurraram tudo para a gaveta. Enquanto isso, projetos de vilões, como o longa do Exterminador que mudou de título, avançaram justamente por exigirem menos integração com o universo maior.
O detalhe que passa despercebido: cada mês perdido agora obriga a DC a renegociar opções de contrato com artistas que ainda nem foram escolhidos, encarecendo o filme antes mesmo da primeira claquete. O preço da hesitação pode ser maior do que a Warner pagou pelos direitos de distribuição do próprio Batman em 2020.
Gunn insiste que o planejamento geral segue “intocado”, mas a admissão revela onde o novo DCU ainda sangra: falta mão de obra criativa dedicada ao Cavaleiro das Trevas. Sem acertar essa peça, o quebra-cabeça de “Gods & Monsters” pode chegar aos cinemas com o principal símbolo da DC ausente — e a plateia, desta vez, já sabe quem avisou antes que o relógio estava atrasado.

