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Decisão da Marvel leva Avengers: Doomsday aos cinemas IMAX — mas o Brasil fica só com as sobras

Quando a Marvel confirmou, nos bastidores da CinemaCon, que Avengers: Doomsday ganharia sessões em IMAX, o suspiro de alívio dos fãs durou pouco. O estúdio deixou escapar que apenas parte da tiragem premium chegará a mercados fora de EUA e Ásia — e, no caso do Brasil, a janela oficial é de meros dez dias.

A escolha escancara a nova aritmética da Disney para telas gigantes: travar concorrentes nos principais centros urbanos durante o primeiro fim de semana global e, depois, realocar cópias para reestreias de Inside Out 2 e da animação Moana 2. Para o público brasileiro, isso significa fila, preço inflado e a real chance de não conseguir ver o longa no formato mais cobiçado.

IMAX virou moeda de troca na guerra dos blockbusters

Desde o duelo Oppenheimer x Barbie, as salas IMAX tornaram-se peça estratégica: quem ocupa primeiro impede rivais de exibir em tela expandida por até três semanas. Com Doomsday chegando duas semanas antes de The Brave and the Bold, a Marvel tenta repetir o truque e espremer a estreia da DC. A manobra ecoa o movimento da Sony, que adiantou “Beyond the Spider-Verse” para abocanhar as salas premium de agosto.

O detalhe que poucos notaram: apenas 22% das cenas de Doomsday foram captadas em câmeras certificadas pela IMAX Corporation. O restante virá de up-scale digital, prática que rapidamente vira alvo de críticas nas redes. Para fãs que já torceram o nariz aos pôsteres nostálgicos — e que dividiram a base, como vimos nos materiais de Avengers: Doomsday — a notícia reforça a sensação de “meio-IMAX” vendida como experiência definitiva.

Brasil perde espaço para China e Oriente Médio

A matriz da Disney priorizou 430 salas IMAX na China, 210 no Oriente Médio e 185 no circuito norte-americano. América Latina inteira ficou com menos de 90 telas. Das 32 brasileiras, apenas 12 receberão Doomsday já no dia 1º; as demais terão sessões esporádicas ou só depois do dia 11. Executivos de dois exibidores confirmaram, sob reserva, que perderam a disputa por cópias master para telas de São Paulo e Rio.

Na prática, quem mora fora dos grandes centros dependerá da versão Scope tradicional — a mesma que será distribuída em 2D e 3D. O choque contrasta com o tapete vermelho que o estúdio estendeu para personagens como a Pantera Negra de máscara inédita e o retorno de Chris Evans às macros-telas em pôster de 1,70 m, produzido justamente para lobby com operadores de IMAX.

O que está em jogo para a Marvel

A Disney busca fechar 2025 com recorde de receita por sala premium — métrica que paga o custo crescente das produções após a greve de Hollywood. De acordo com projeções internas vazadas ao mercado, cada ingresso IMAX rende 34% a mais à Marvel do que um seat regular. O problema é que a aposta acontece no momento em que o próprio estúdio testa novos formatos, como a voz de Thanos trocada em Marvel Rivals, para conter desgaste de marca.

Se o plano falhar e Doomsday não cobrir o valor extra de marketing dedicado ao formato, o prejuízo recairá sobre as próximas estreias do MCU. Analistas já especulam cortes de tela IMAX em VisionQuest, série que levantou polêmica ao reconfigurar o cânone móvel. Para o fã brasileiro, a lição é clara: quem quiser sentir a vibração dos subwoofers na batalha contra Sentry precisará correr — ou aceitar ver o suposto “evento definitivo” em uma tela que, de definitiva, terá apenas o 2K tradicional.

No fim, a Marvel até liberou Avengers: Doomsday para o selo IMAX, mas entregou ao público nacional o que restou de uma negociação mundial guiada por planilhas de ROI. Às vezes, o verdadeiro vilão não está no multiverso — e sim na planificação de sala premium pelo mapa-múndi.

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