O diretor de Avengers: Doomsday quebrou o silêncio e colocou lenha na fogueira dos rumores sobre o retorno de Elizabeth Olsen ao MCU. Em um evento interno da Disney, ele descreveu as “bruxas de Latvéria” como “parte elementar” da construção de Doutor Destino, papel agora nas mãos de Robert Downey Jr., e sugeriu que a conexão mística pode reabrir as portas para a Feiticeira Escarlate.
A menção não é mero folclore: a Marvel nunca oficializou o destino de Wanda Maximoff depois de Multiverse of Madness. Ao ligar o vilão a um clã de feiticeiras que opera no mesmo espectro de poder do Caos, o estúdio pavimenta um retorno orgânico — e, de quebra, reforça o peso político de Destino em solo latveriano.
Bruxas de Latvéria reposicionam o poder mágico no MCU
Nos quadrinhos, Victor Von Doom aprende magia com o covil de feiticeiras que protege seu reino. No cinema, esse detalhe sempre foi descartado para acelerar o lado científico do personagem. Agora, segundo o diretor, elas não só aparecerão: serão “motor dramático” do filme. Isso explica o destaque dado ao pôster recente que apresenta o Time Destino liderado por Downey Jr. — cada seguidora veste símbolos rúnicos parecidos com o selo da Feiticeira Escarlate.
Ao recolocar a feitiçaria no centro, a Marvel ganha duas vantagens. Primeiro, amarra narrativas que ficaram soltas desde que Wanda destruiu o Darkhold. Segundo, cria uma ponte temática entre o realismo tecnológico do vilão e a vertente mística que Kevin Feige tentou expandir com WandaVision. O choque de disciplinas deve servir de gatilho para a ameaça “fim de mundo” sugerida pelo subtítulo Doomsday.
Por que a volta de Wanda é movimento político — não apenas fan service
Trazer Elizabeth Olsen de volta significa mais do que agradar o público. Dentro do estúdio, a personagem carrega peso comercial comparável ao de Tom Holland e Benedict Cumberbatch, mas sem contrato longo. Reintroduzi-la via Latvéria cria margem para renegociar cachês sem precisar de outro filme solo — a participação especial em um evento gigantesco dilui custos e divide bilheteria.
Do ponto de vista narrativo, Wanda encarna o risco do poder absoluto sem fiscalização, algo que ecoa o autoritarismo de Destino. Ao confrontar dois extremos — uma ex-Vingadora traumatizada e um monarca tecnomístico —, a Marvel prepara terreno para debates de soberania e responsabilidade semelhantes aos que marcaram Soldado Invernal. Isso dá à Fase 6 o conflito ideológico que a fase do multiverso ainda não entregou.
O detalhe que passou despercebido é a nomenclatura usada pelo diretor: “elemental”. Nos arquivos de produção, esse termo designa entidades ligadas às forças fundamentais da realidade — fogo, ar, terra, água e o enigmático éter do Caos. Se as bruxas de Latvéria forem mesmo portadoras desse éter, Wanda não retorna apenas como heroína: ela retorna como chave para destravar o apocalipse de Destino. E isso, mais do que qualquer camafeu, pode redefinir quem sobrevive ao dia do juízo final do MCU.

