James Gunn abriu mão de um anúncio pirotécnico para a segunda temporada de Creature Commandos, mas a lista de nove personagens confirmados vazou por executivos de licença e expôs algo maior que o próprio desenho: é ali, na animação destinada ao streaming, que o novo chefe criativo da DC está calibrando a régua de poder que mais tarde decidirá quem sobrevive ou não aos crossovers live-action.
O detalhe passa batido para quem lê o elenco como simples “escalação de monstros”, mas basta sobrepor as habilidades da equipe a projetos já em desenvolvimento — de Lanterns a Man of Tomorrow — para notar o padrão: Gunn aumenta degrau por degrau a potência dos personagens animados, mede a resposta do público e extrai dali a cartilha de limites para o ainda inédito encontro entre Superman, Batman e companhia.
Série vira bancada de testes para a escala de poder da futura Liga
Na primeira temporada, o estúdio já havia ensaiado isso ao cruzar soldados reformados com mutantes de segunda linha. A recepção positiva abriu a porteira para nomes muito mais absurdos. Agora, a Season 2 empilha criaturas capazes de dizimar ilhas inteiras, manipular chamas nucleares ou invocar magia infernal — tudo sem gastar o orçamento de efeitos especiais de um longa.
O expediente lembra o que o criador fez em “Peacemaker”: usar um formato enxuto para testar tom e personagens antes de promovê-los ao cinema. A diferença é que, desta vez, a régua é a força bruta. Gunn precisa aferir, por exemplo, até onde pode ir a violência gráfica de Swamp Thing ou o grau de “terror gótico” aceitável para Etrigan antes de escalar a dupla em filmes live-action. Cada frame animado vira pesquisa qualitativa de reação do público.
Os 9 convocados, do menos ao mais devastador
A ordem a seguir não é mera curiosidade: reflete exatamente como os roteiristas organizaram o tabuleiro para testar a progressão de poder.
- Rick Flag Sr. – humano de elite, mas humano; serve de termômetro de vulnerabilidade.
- Weasel – força e agilidade aumentadas; ideal para medir humor violento sem super-poder.
- G.I. Robot (J.A.K.E.) – artilharia pesada, ainda dentro de parâmetros militares realistas.
- Nina Mazursky – anfíbia geneticamente modificada; introduz biologia mutante.
- Bride of Frankenstein – resistência sobre-humana e fator de cura; passo intermediário rumo ao absurdo.
- Frankenstein – mesma base da Bride, porém turbinado pelo selo “Agent of S.H.A.D.E.” de força sobrenatural.
- Doctor Phosphorus – corpo radioativo, manipulação de fogo nuclear; testa limites de violência visual.
- Etrigan, o Demônio – feitiços infernais e força mística; primeiro personagem capaz de bater de frente com integrantes da Liga.
- Swamp Thing – avatar do “Verde”, controla toda a flora planetária; escala de ameaça global e gancho para fase cósmica.
Por que a ordem importa?
Escolher Swamp Thing como o topo da pirâmide manda recado direto: o DCU de Gunn não pretende ancorar seu clímax apenas em alienígenas como Zod ou Brainiac. A narrativa caminha para mostrar que o planeta abriga ameaças equivalentes — e, portanto, justificaria uma nova formação da Liga da Justiça antes mesmo de Darkseid dar as caras.
Enquanto isso, colocar Rick Flag Sr. e Weasel na base mantém o pé no chão e garante contraste de escala, recurso essencial para medir como o público reage ao salto de um conflito “mano a mano” para um embate ecológico apocalíptico. O processo, discreto, pavimenta o terreno para franquias irmãs — como Lanterns — entrarem em cena com a régua de poder já calibrada.
No fundo, a Season 2 de Creature Commandos vale menos pela história isolada e mais pela função estratégica: é a fita-teste de James Gunn para descobrir qual monstro o público aceita ver lutando ao lado — ou contra — Superman quando o novo DCU saltar do papel para as telonas.
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