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Doze heróis, nenhum filme: por que James Gunn acelera o elenco do DCU antes da câmera rodar

A voz mal tinha ecoado no set de “Superman: Legacy” quando Isabela Merced foi confirmada como Hawkgirl, a 12ª protagonista já contratada para o ainda inédito DCU. O anúncio derruba o recorde interno de personagens principais escalados antes mesmo da estreia do primeiro longa e escancara a pressa quase obsessiva de James Gunn em fechar seu tabuleiro de peças.

A corrida não é capricho: depois de três reestruturações na Warner e da fusão com a Skydance rondando os bastidores, cada contrato fechado agora trava cachês, agenda e prioridade de filmagem para os próximos cinco anos. O efeito colateral é um pipeline lotado – heroína escolhida hoje pode esperar até 2028 para aparecer na tela – e a paciência do público colocada à prova.

Elenco inflado vira apólice de seguro contra a nova dança das cadeiras corporativa

Com Hawkgirl, o núcleo principal já tem Superman, Supergirl, Batman, Robin Damian Wayne, Mulher-Maravilha jovem (na série “Paradise Lost”), Hal Jordan e John Stewart em “Lanterns”, além de Booster Gold, The Authority e o trio científico de “Superman: Legacy” (Mr. Terrific e Metamorfo completam a lista). São 12 contratos que garantem espaço nos lançamentos, mesmo que o calendário sofra nova guinada, como ocorreu quando a fusão com a Skydance forçou Gunn a trancar a janela de dez filmes.

A lógica é simples: se o estúdio mudar de mãos outra vez, produtores externos pensarão duas vezes antes de cancelar projetos que já carregam estrelas, multas rescisórias e cláusulas de exibição. A prática funcionou na Marvel pré-Disney e agora é emulada aqui, mas traz um efeito colateral que preocupa agentes e roteiristas: cada nova escalação congela orçamento que poderia irrigar etapas de desenvolvimento ou pós-produção. Parte das reduções recentes no capítulo “Deuses & Monstros” – quando quatro projetos foram encostados – nasceu justamente desse deslocamento de verba.

Estreia adiada empilha pressão em “Superman: Legacy” e no plano B do Batman

Ao colocar 12 protagonistas no papel antes do público ver qualquer um deles em ação, Gunn transforma “Superman: Legacy” no teste de fogo para todo o pacote. Se o filme, previsto para julho de 2025, falhar em crítica ou bilheteria, cada ator anunciado vira refém de renegociações – e o DCU pode acabar repetindo o ciclo de cortes que derrubou o antigo Universo Estendido.

Para reduzir o risco, o estúdio espalhou participações especiais pelo primeiro longa. Hawkgirl deve dividir tempo de tela com o plano B do Batman, que segue em sigilo após “The Brave and the Bold” ficar sem data certa. A sobreposição garante que, mesmo com possíveis atrasos, o personagem não desapareça do radar – estratégia semelhante foi vista quando o estúdio correu para filmar “Clayface” antes de definir o novo Bruce Wayne.

Quem falta e por que Gunn não tem pressa em revelar

Do núcleo clássico, restam apenas duas lacunas: o novo Lex Luthor (ligado à série já em desenvolvimento que antecipa a guerra pessoal contra Superman) e a dupla de protagonistas femininas de “The Authority”, projeto que virou termômetro interno de credibilidade segundo Peter Safran. Nos bastidores, comenta-se que Gunn prefere segurar esses nomes até que a paralisação dos roteiristas de 2023 seja totalmente digerida pelo cronograma, evitando anunciar atores que ficariam um ano inteiro sem filmar.

O resultado é um xadrez montado quase por inteiro, mas com espaço para movimentações táticas caso o público rejeite algum rumo. Se der certo, o DCU desembarca em 2026 com volume de conteúdo que a Marvel só atingiu na fase três. Se der errado, cada contrato hoje celebrado vira mais um obstáculo financeiro para qualquer sucessor que ouse recomeçar do zero.

Entre a ousadia e o risco calculado, Gunn escolheu a primeira opção: povoar o universo antes mesmo de abrir a cortina. Agora o espetáculo precisa começar – antes que a plateia procure outra sessão.

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