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Dragon Ball Super corrige luta mais criticada com relançamento do “Beerus Episode 2” neste domingo

A imagem de Goku deformado, gritando diante de um Beerus estático, virou meme mundial em 2015 e ainda hoje assombra a Toei. O estúdio, ciente de que a franquia volta a esquentar com novos filmes e games, decidiu pegar o touro pelos chifres: “Beerus Episode 2”, releitura completa do embate que mais sofreu com cortes de orçamento, chega neste domingo (24) em simulcast para 43 países, inclusive o Brasil.

A manobra vai além de um simples polimento em 4K. Animadores que hoje lideram séries de ponta — muitos deles fãs que criticaram a versão original — tiveram carta branca para redesenhar quadros inteiros, alterar coreografias e alongar trechos cortados às pressas há nove anos. A mensagem é clara: antes de avançar no cânone, a Toei quer reescrever sua maior cicatriz.

Nova janela global e cronograma apertado

O episódio estreia às 19h de domingo, horário de Brasília, em plataformas que já exibem Dragon Ball Super — entre elas o bloco “World Premiere” da Crunchyroll. No Japão, a exibição linear ocorre às 20h30 no BS Fuji. A estratégia difere do relançamento comum de um “director’s cut”: a companhia aposta no formato de “episódio de evento”, acompanhando comentários ao vivo do supervisor Naohiro Shintani.

Internamente, a produção correu contra o relógio. Conforme apurado, o storyboard final foi fechado apenas em dezembro, depois que o novo filme de Dragon Ball recebeu luz verde. A decisão obrigou o time a usar a mesma linha de servidores de render dos longas para dar conta da iluminação 3D aplicada nos choques de ki. O resultado: 18% a mais de quadros-chave e efeitos de partículas herdados do pipeline de One Piece Red.

Reescrever o passado para turbinar o futuro

A Toei opera em duas frentes. De um lado, minimiza um histórico de críticas que ainda ecoa nos fóruns; de outro, cria terreno para movimentos mais ousados, como a mudança na regra do Super Saiyan Blue de Gogeta apontada recentemente pela Bandai Namco nos games de luta — sintoma de que o anime virou laboratório de canon.

Executivos ouvidos relatam que o “Beerus Episode 2” funciona como prova de conceito: se a recepção for positiva, toda a fase inicial de Dragon Ball Super pode ganhar o mesmo tratamento, algo semelhante ao que o estúdio fez com Dragon Ball Kai, mas agora mirando a estética de 2024 e o mercado de streaming. Há também cálculo financeiro: cada meia hora refeita custa cerca de US$ 380 mil, valor que se paga com duas semanas de novos assinantes em mercados-chave, segundo projeções internas.

Detalhe que passa batido: o orgulho dos novatos

O que pouca gente percebe é o simbolismo por trás dos créditos: três dos principais animadores eram estudantes quando o episódio original foi ao ar e viralizou negativamente. Um deles, Ryo Onishi, publicou na época um redline — rascunho corrigindo os erros de proporção de Goku — que circulou em sites de fãs. Agora, o mesmo desenho virou quadro oficial. A Toei transformou uma crítica amadora em pauta de storyboard, selando um raro ciclo de reconciliação entre estúdio e comunidade.

Se tudo der certo, os fãs não verão apenas músculos mais definidos ou a aura de Beerus remodelada; verão o reconhecimento de que, na era do streaming, erros não precisam ser eternos. Para uma franquia que vive de multiplicar formas e retomadas, dar replay ao próprio passado pode ser o power-up narrativo que faltava.

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