O relógio mal tinha virado a meia-noite no Japão quando a Khara liberou o primeiro trailer da nova trilogia de Evangelion e quebrou a crença de que “Thrice Upon a Time” seria o ponto-final definitivo da saga. Em 90 segundos, o vídeo mostra um EVA-01 remodelado, um mural de cidades submersas e o relâmpago de um anel orbital — pistas suficientes para incendiar fãs, investidores e rivais do entretenimento.
Mais do que reabrir uma história considerada encerrada, o estúdio envia um recado econômico: a era dos longas únicos acabou para as superfranquias de anime. A decisão de fracionar Evangelion em três filmes até 2029 atende ao apetite das salas IMAX, atiça a guerra dos streamings e pressiona concorrentes que já flertam com o modelo, caso da sequência de Spy x Family.
Trailer sugere salto temporal de 15 anos e um EVA 01 “híbrido”
O corte rápido abre com o número “15” projetado sobre destroços lunares, seguido de Asuka vestindo plug suit marcado por cicatrizes biomecânicas. Analistas de storyboard apontam que o cenário indica um gap de pelo menos década e meia após 3.0+1.0 — tempo suficiente para justificar o redesign mais mecânico do EVA-01 e a adoção de cell-shading em 3D de alta densidade.
Dois frames chamam atenção: um anjo cristal específico, cortado antes do impacto, e o visor azul de um cockpit nunca visto na série original. A leitura corrente é que Hideaki Anno delegou a direção de animação a Mahiro Maeda para testar uma pintura digital que mescla rigging de videogame a texturas analógicas, experimento que o teaser esconde mas os créditos finais denunciam em microtexto.
Khara traça calendário agressivo e atrai capital estrangeiro
Internamente batizado de “Projeto ReGenesis”, o plano prevê estreia do primeiro filme na Golden Week de 2027, o segundo no inverno de 2028 e o encerramento no verão de 2029. A janela curta entre lançamentos atende a um contrato de distribuição escalonada: 90 dias de exclusividade nos cinemas premium, 45 nos multiplex comuns e, só então, queda direta em streaming global.
A Disney e a Amazon, rivais na compra dos direitos internacionais, já ofereceram cotações 35% acima do acordo firmado em 2021 para “Thrice Upon a Time”, segundo executivos ouvidos em off. O motivo? Evangelion converte público culto em maratona seriada e, agora, entrega três picos sucessivos de assinatura — vantagem crucial na disputa contra a Crunchyroll, que reforça o catálogo com Dragon Ball Super.
No front do licenciamento, a trilogia faz renascer máquinas de pachinko, linhas de moda streetwear e, sobretudo, robôs colecionáveis em escala 1/48, faixas de preço que saltam de R$ 1.000 a R$ 5.000. A pré-venda abre na primeira semana de julho e já coloca a Hasbro, que apostou em Dinobots cel-shaded, em alerta vermelho.
Se o trailer foi pensado para atiçar nostalgia, a estratégia por trás dele mira algo bem mais pragmático: transformar Evangelion em evento financeiro de três atos, capaz de sustentar hype, bilheteria, assinatura e prateleira até o fim da década. A pergunta que sobra não é mais “por que voltar?”, mas “quem vai bancar ficar de fora?”.

