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Marvel sela pacto com WEBTOON e empacota Vingadores, Star Wars e Alien na mesma prateleira mobile

A Marvel trocou de armadura nos bastidores e, longe das telas de cinema, apostou no bolso: fechou com a sul-coreana WEBTOON a construção de uma nova prateleira digital que reunirá, em leitura vertical, todo o catálogo de Vingadores, Star Wars e as HQs da 20th Century Studios, como Alien e Predador. A jogada entrega o baú licenciado da Disney a uma base de 190 milhões de usuários, 70% deles abaixo dos 25 anos.

Não se trata só de trocar o balão de fala pelo scroll. A aliança reacende a briga pelo mercado que a Amazon deixou órfão depois do fiasco da reformulação do Comixology, oferece um palco global para artistas sul-coreanos adaptarem heróis ocidentais e promete uma bomba de tráfego cruzado para streaming, games e brinquedos — a mesma lógica que já catapultou a recente trilogia de Evangelion.

Marvel corrige a lacuna deixada pelo colapso do Comixology

Desde que a Amazon integrou o Comixology ao Kindle, em 2022, as vendas digitais de HQs norte-americanas despencaram nos dois dígitos, segundo lojistas independentes. A Marvel tentou remendar com o formato Infinity Comics dentro do serviço Marvel Unlimited, mas esbarrou em baixa distribuição fora dos EUA. A WEBTOON chega com alcance móvel em 150 países e a expertise de transformar capítulos curtos em maratona compulsiva — o mesmo gatilho que faz Dragon Ball Super ser pilar de streaming.

Para a Disney, a vantagem é dupla. Além da audiência global imediata, o contrato não exige exclusividade de vendas físicas, preservando livrarias e comic shops, e ainda cria sinergia com as séries do Disney+. Só em 2025, cinco produções da Lucasfilm ganharão tie-ins diretos na plataforma vertical, aponta um briefing interno que circulou entre licenciados.

Modelo de moeda virtual renova a economia dos quadrinhos

A leitura seguirá o padrão “gratis até a porta, pague para virar a chave”: os três primeiros episódios serão abertos, e o desbloqueio dos seguintes custará moedas virtuais compradas no app. O tíquete médio de US$ 1 por capítulo parece modesto, mas, na WEBTOON, 60% dos usuários leem mais de seis séries ao mês — multiplicador que pode gerar receita maior que o lucro unitário de uma revista impressa de banca.

Do lado dos autores, a promessa é de participação nas microtransações e no licenciamento para outras mídias. Roteiristas da linha Star Wars Legends, que perderam espaço no cânone em 2014, já negociam séries spin-off exclusivas para o scroll. A 20th Century, por sua vez, ganha vitrine inédita para marcas cult que ainda não migraram ao live-action, como Planeta dos Macacos e O Predador — preparando terreno para futuros longas ou games.

Brasil pode virar o primeiro campo de prova ocidental

O aplicativo da WEBTOON figura entre os 15 mais baixados na categoria Livros da Play Store brasileira e supera 1,5 milhão de usuários ativos mensais no país, de acordo com dados de mercado. A Marvel enxerga no público nacional — onde Homem-Aranha segue líder de vendas físicas — uma dobra perfeita entre nostalgia de banca e consumo mobile.

Executivos consultados por editoras parceiras indicam que as primeiras HQs traduzidas chegarão em simultâneo com o lançamento global da plataforma, previsto para o segundo semestre. Se o engajamento brasileiro repetir o ritmo de picos recentes, como o que impulsionou o hiato de Hunter x Hunter, o país pode ser promovido a hub de testes para séries exclusivas, envolvendo artistas locais em projetos do universo Marvel.

No fim das contas, o acordo não coloca só Tony Stark de volta aos holofotes: empurra toda a indústria a repensar como se conta uma HQ quando a vitrine cabe na palma da mão.

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