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A exigência única de Feige para “Blade” era simples – e mesmo assim o filme desmoronou

O filme que recolocaria o meio-vampiro mais famoso da Marvel em cena caiu porque a Marvel não conseguiu cumprir um pedido elementar de Kevin Feige: colocar Blade como protagonista inequívoco da própria história. O presidente do estúdio exigiu apenas isso antes de liberar o sinal verde. O roteiro, porém, continuou a empilhar coadjuvantes, linhas de tempo e participações especiais até tornar o caçador de vampiros um figurante de luxo.

O impasse cresceu a ponto de o projeto ser oficialmente retirado da linha de montagem – algo raro num estúdio que insiste em cronogramas milimétricos. O tropeço revela um problema maior: a Marvel que sempre ostentou planejamento de dez anos agora se debate para alinhavar um único longa, enquanto buracos na fase 5 se multiplicam e projetos mais novos, como o Motoqueiro Fantasma de Ryan Gosling, entram de penetra na agenda.

Roteiros contrariaram a ordem e reduziram Blade a coadjuvante

Desde 2019, ao menos quatro tratativas de roteiro circularam pelas mãos de escritores diferentes. Em todas elas, segundo gente próxima à produção, Mahershala Ali ganhava menos tempo de tela do que personagens criados ali mesmo para “diversificar” o núcleo vampírico. Uma versão ambientada nos anos 1920 colocava a filha de Blade como fio condutor; outra transformava o herói em mentor silencioso de um grupo de caçadores adolescentes. Feige vetou cada uma dizendo o óbvio: “o título do filme é Blade”.

O paradoxo se formou porque, enquanto o presidente pedia foco, executivos médios queriam que o longa abrisse portas para Midnight Sons e para a trama de inteligências artificiais que corre em VisionQuest. Assim, todo novo rascunho chegava inchado de links, easter eggs e pontes com o multiverso. O resultado era um personagem titular com cerca de 40 falas em dois atos, situação que fez Ali ameaçar largar o papel.

Engavetamento indica freio de arrumação na fase 5

Ao congelar “Blade”, a Marvel sinaliza que trocará quantidade por controle. Internamente, a ordem é revisar roteiros já anunciados e checar se cada filme sustenta, sozinho, o peso de sua bilheteria – lição aprendida depois de “The Marvels” e das reações mornas a “Quantumania”. A decisão conversa com o reforço dado a franquias capazes de bancar apostas maiores, caso de “Avengers: Doomsday”, cujo pôster vazado com o Surfista Prateado já cria ansiedade orgânica.

Para Blade, o recuo abre duas saídas: aceitar um longa mais enxuto, focado no anti-herói e no terror de rua, ou migrar para séries especiais, onde o MCU costuma testar tons mais adultos. A primeira opção exigiria descartar cameos de Doutor Destino e da Mulher-Invisível sugeridos nos últimos tratamentos – justamente o tipo de podagem que Feige pediu desde o início. A segunda significaria adiar a estreia de Ali para depois de 2026, arriscando perder o ator para outros contratos.

Em meio à disputa, o que fica claro é que o mantra de “planejamento infalível” já não protege a Marvel: se nem a exigência mais básica do chefe supremo sai do papel, nenhuma estratégia parece garantida. Para o público, resta torcer para que a lâmina de Blade volte a brilhar sem ter de dividir o reflexo com o espelho infinito do multiverso.

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