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Julgamento de Gorilla Grodd vira trampolim e James Gunn já escala mais dois inimigos do Flash

Ainda nem foi filmado, mas “The People v. Gorilla Grodd” já mudou de categoria nos corredores da DC Studios: de episódio experimental para porta de entrada oficial do velocista escarlate. Fontes próximas à produção confirmam que o julgamento do símio telepata incluirá a estreia de dois outros inimigos clássicos do Flash, pavimentando uma minissérie ou filme solo antes de 2027.

O movimento derruba a percepção de que Barry Allen ficaria em banho-maria após o fiasco de bilheteria de 2023. Mais que reabilitação, a manobra dá a James Gunn uma chance de retestar o personagem num formato contido, sem repetir a aposta cara do cinema — e, de quebra, cria ganchos para o primeiro grande crossover de vilões do novo DCU.

Audiência contra Grodd vira plano-piloto para a mitologia velocista

Originalmente pensado como “episódio garrafa” para a série que sucederá Booster Gold, o script de “The People v. Gorilla Grodd” cresceu após leituras internas elogiarem o contraste entre tribunal e super-poderes. Gunn enxergou ali uma forma barata de testar efeitos de telepatia, humor ácido e, principalmente, a recepção ao Flash sem precisar mostrá-lo correndo por meia hora.

A estratégia lembra a que a Marvel usou com “Thunderbolt Ross” em “O Incrível Hulk”: plantar um personagem robusto, medir o pulso do público e só então decidir o tamanho do próximo passo. Se Grodd funcionar, a produção já tem sinal verde para virar série limitada, com Barry Allen atuando como consultor forense da promotoria — quase um “Law & Order” de alta velocidade.

Dois novos antagonistas já têm pistas no roteiro confidencial

A mesma versão do roteiro que vazou entre agentes lista os codinomes “Leonard” e “Sam” em diálogos cifrados. Nos quadrinhos, Leonard Snart é o Capitão Frio e Samuel Scudder responde por Mestre dos Espelhos, combinação que costuma liderar a galeria de vilões conhecida como Rogue Gallery. A escolha não é aleatória: ambos exigem efeitos visuais manejáveis — gelo controlado em set e ilusões ópticas em pós-produção —, cabendo perfeitamente ao orçamento que a DC reserva a séries premium.

Mais que complementos, Frio e Mestre dos Espelhos funcionam como contraponto moral ao próprio Grodd. Enquanto o gorila tenta provar sanidade para escapar da pena máxima, os humanos mostram crimes frios e calculados, abrindo espaço para um debate de responsabilidade e preconceito que Gunn quer jogar na cara do público.

Flash pode furar a fila e embaralhar o cronograma da TV

Nos bastidores, a adição dos vilões desperta ciúme em projetos que pareciam prioritários. “Lanterns”, por exemplo, ainda refaz roteiros depois que um spoiler acidental na HBO Max expos um possível clone de Hal Jordan. Caso Barry Allen ganhe tração, a série dos Lanternas pode escorregar mais um semestre para dar espaço ao velocista.

A movimentação também altera a curva de hype do DCU: enquanto “Kingdom Come” desponta como fim de jogo, a linha do tempo intermediária ainda parecia vaga. Com um “mini-arco Flash” ancorado em três vilões populares, Gunn obtém o cimento que faltava entre o novo “Superman” e as tramas cósmicas dos Guardiões de Oa.

O detalhe que pouca gente reparou: usar Grodd, Capitão Frio e Mestre dos Espelhos no tribunal livra a DC de ter de reexplicar viagem no tempo, ponto que embaralhou o público no filme de 2023. A cartada reduz risco, deixa o espólio de efeitos especiais para a segunda temporada e devolve ao público algo que a marca perdera — a simplicidade eletrizante de ver um herói correndo atrás de ladrões com armas estranhas.

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