James Gunn publicou na rede social Threads a clássica arte de Alex Ross para “Kingdom Come” e escreveu apenas “Pacientes, vocês verão”. Duas horas depois, o co-CEO da DC Studios voltou a reforçar que seu plano cobre “oito a dez anos” e “termina em algo que vocês conhecem muito bem”. Foi o suficiente para acender a luz vermelha: o chefão pode ter revelado, sem citar o nome, qual será o evento final do DCU.
Parecia mais um aceno nostálgico, mas a combinação da imagem com o comentário sobre “algo conhecido” afunila as hipóteses. Não é Darkseid — Gunn mesmo já falou que não quer repetir o caminho frustrado do antigo DCEU. A peça que encaixa é “Kingdom Come”, saga que coloca duas gerações de heróis em rota de colisão moral. E, se for isso, muita coisa que o estúdio vem plantando começa a fazer sentido.
Pistas se acumulam para “Kingdom Come” como clímax do DCU
O primeiro sinal concreto veio em dezembro passado, quando Gunn revelou um quadro branco cheio de anotações e, no canto, a sigla “KC?”. Muita gente leu como brincadeira; agora, ganha peso. A renovação visual de Gotham — já visível no pôster de Clayface — segue a estética retrofuturista da minissérie de Ross e Mark Waid. Mais recente, a confirmação de que Booster Gold será a ‘cola’ televisiva indica um personagem-ponte, capaz de viajar no tempo e narrar a crise de gerações que “Kingdom Come” exige.
Outro indício está na escolha de vilões do Flash. A trama The People v. Gorilla Grodd, noticiada em Hollywood, adapta justamente um dos julgamentos políticos que desembocam na ruptura entre heróis clássicos e vigilantes radicais no quadrinho de 1996. Ao escalar antagonistas menos cósmicos e mais ideológicos, Gunn reforça o tom de conflito de visões — não de exércitos intergalácticos.
Legado orienta escalações e até ausência de anéis
“Kingdom Come” só funciona se houver uma leva nova de protetores impacientes ante a moderação dos ícones. O DCU de Gunn já tem esse embrião: o clone de Hal Jordan vazado na HBO Max em Lanterns instala dúvida sobre autoridade; a futura série do mesmo herói mostrará Jordan evitando o anel para não se tornar “juiz, júri e carrasco”, como revelado no site parceiro. São conflitos éticos que convergem exatamente com o mote de Ross/Waid.
No lado terrestre, a coexistência de duas versões de Clayface antes mesmo das filmagens — já discutida em matéria anterior — espelha o fantasma da identidade deformada, tema central na queda de heróis veteranos na HQ. Até a fuga inesperada de Arlequina para a cena do novo Superman, captada em vídeo promocional da Max, sugere um universo em que limites de território narrativo estão ruindo mais cedo do que se viu no MCU.
Cronograma favorece crossover em 2030 e pressiona bastidores
A DC Studios tem sete títulos datados entre 2025 e 2028, incluindo “Superman”, “The Authority” e “Lanterns”. Se cada um adicionar peças do tabuleiro de “Kingdom Come”, o estúdio chega a 2030 com mais de 20 protagonistas em tela — escala semelhante à que a Marvel teve antes de “Vingadores: Ultimato”. Internamente, já se fala em filmar dois longas consecutivos para ganhar fôlego orçamentário, estratégia que a Warner usou em “Matrix Reloaded/Revolutions”.
A pressão, porém, é enorme. Condensar a ética cinzenta de “Kingdom Come” exige que roteiristas sinalizem desde já por que o público deve temer a nova geração tanto quanto admira veteranos. Se Gunn cravou mesmo o destino final, cada detalhe — do julgamento de Gorilla Grodd à relutância de Hal Jordan — deixa de ser side-quest e vira parte de um relógio narrativo. O aviso de Alex Ross no quadro branco, então, soaria menos como provocação e mais como um contrato de leitura com prazo certo para vencer.
Ainda sem confirmação oficial, o rumor já reorganiza expectativas de fãs e funcionários. Se o DCU vai mesmo desembocar em “Kingdom Come”, a provocação de Gunn não foi mero tease: foi um convite para assistir ao surgimento, em tempo real, de uma nova guerra civil super-heroica.

