Lex Luthor ainda não estreou no DCU de James Gunn e já perdeu o posto de inimigo número 1. Bastou uma sequência de movimentos de bastidor — da encomenda do spin-off “Man of Tomorrow” à reescrita de “Supergirl” — para indicar que o cérebro mais temido de Metrópolis vai começar rebaixado a “peça do tabuleiro”. No centro da ambição de Gunn, todas as pistas levam a Brainiac, o colecionador de mundos que pode amarrar cinema, streaming e animação num único arco de ameaça global.
O rebaixamento de Luthor é menos uma escolha de personagem e mais um ajuste de escala narrativa. Ao adotar tom investigativo em “Lanterns” e exigir cortes cirúrgicos no roteiro de “Supergirl”, o copresidente da DC Studios sinaliza que precisa de um vilão sistêmico, capaz de justificar as ligações entre títulos tão diferentes como “Creature Commandos 2” e a futura saga do Superman. E nenhum adversário faz isso melhor do que Brainiac, que opera nos bastidores, sequestra cidades inteiras e tem motivação suficientemente cósmica para unir heróis desconfiados uns dos outros.
Brainiac encaixa o quebra-cabeça que Gunn espalhou em séries e filmes
O primeiro indício veio de “Lanterns”, descrita por executivos da Warner como “True Detective no espaço”. O mistério que Hal Jordan e John Stewart encontram na Terra envolve uma entidade antiga, tecnológica e invisível aos telescópios humanos — descrição que bate ponto por ponto com as sondas que Brainiac costuma despachar antes de “engarrafar” civilizações inteiras. A série foi promovida por Gunn como o laboratório decisivo da nova TV de super-heróis, isto é, o lugar onde o vilão teria tempo para se infiltrar sem revelar o rosto.
No cinema, o diretor trocou o subtítulo “Legacy” por “Superman” puro e simples, mas manteve o spin-off “Man of Tomorrow” engatilhado. Segundo fontes próximas à Writers’ Room, o projeto foca em como o repórter Clark Kent lida com tecnologia alienígena detectada após os eventos do filme. Essa premissa deixaria Lex Luthor na posição de oportunista — investigando a ameaça sem ser, de fato, a ameaça. Brainiac, por outro lado, já viria embutido no DNA da trama: é ele quem transforma o amanhã em urgência.
Por fim, a pedido direto de Gunn, “Supergirl: Woman of Tomorrow” passou por cortes que eliminaram um subplot terrestre. O objetivo, relatam pessoas ligadas à pós-produção, foi concentrar a jornada de Kara Zor-El em planetas dizimados por uma força que “encaixará na história maior”. Nos quadrinhos recentes, Brainiac destrói colônias kryptonianas antes de mirar Metrópolis — exatamente o tipo de dor que conecta Supergirl ao primo e turbina o elo emocional entre os dois filmes.
Por que aposentar Lex (por enquanto) faz sentido econômico e criativo
Do ponto de vista de bilheteria, a DC não pode repetir o erro de multiplicar vilões sem linha mestre — prática que levou a seis fracassos seguidos, como analisado em Sexto desastre de bilheteria em três anos ameaça o caixa da DC. Brainiac resolve o impasse porque oferece perigo escalonável: começa como ameaça digital em “Lanterns”, vira flagelo planetário em “Supergirl” e explode em guerra total no segundo longa-metragem do Superman. Lex Luthor continua indispensável, mas agora como rival corporativo que tenta lucrar com a histeria, não como o grande chefão da temporada.
Há ainda um cálculo de imagem. Depois de Jesse Eisenberg dividir fãs no antigo DCEU, reeditar Lex imediatamente arriscaria comparação direta. Brainiac, ausente das telas live-action desde aparições pontuais em séries de TV, chega sem bagagem pesada e entrega o “efeito Thanos” que a Warner busca: um rosto novo que se constrói devagar até virar evento. Ao mesmo tempo, mantém vivo o debate ético sobre inteligência artificial, tema que atravessa Hollywood e pressiona roteiristas a falar de algoritmos que escapam ao controle humano.
O que muda para futuros projetos já anunciados
• “Creature Commandos 2” ganha chance de mostrar como Brainiac coleta DNA de soldados monstruosos para seu zoológico cósmico. Isso tornaria a série animada o primeiro ponto de choque direto com o vilão.
• “Lanterns” — cujo lançamento foi adiantado em Lanterns chega em 60 dias — converterá a clássica tropa intergaláctica em força policial de fronteira contra invasores tecnológicos, moldando a ameaça antes que ela atinja Metrópolis.
• A animação “Man of Tomorrow” pode funcionar como interlúdio entre os filmes de Superman, exibindo a primeira tentativa oficial da ONU de responder ao sequestro de cidades inteiras, o que prepara o terreno para um futuro crossover.
• “The Brave and the Bold”, o filme que apresentará o novo Batman, encontra em Brainiac a desculpa perfeita para introduzir armas de contenção global — entre elas, os protocolos sombrios que mais tarde ameaçarão a própria Liga.
Em outras palavras, James Gunn fez mais do que escolher um vilão. Ele projetou um encadeamento de causas e efeitos que devolve coesão ao universo compartilhado, rebaixa Lex Luthor a peão estratégico e coloca Brainiac como o relógio que avança a cada episódio. Se os planos se confirmarem na tela, a pergunta não será “onde está o Superman?”, e sim “quanto tempo resta antes que a próxima cidade seja miniaturizada?”.
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