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Cancelamento relâmpago expõe freio da Hasbro em kits premium de Transformers

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Os colecionadores acordaram com um e-mail curto: o model kit do Maximal Polar Claw, anunciado com pompa em janeiro, não chegará mais às prateleiras. Quatro meses depois da apresentação em feiras asiáticas, a parceira third-party Yolopark informou que o projeto foi “descontinuado por orientação do detentor da marca”. Pagamentos de pré-venda já começaram a ser reembolsados.

O golpe atinge um nicho que vinha crescendo justamente por dar palco a personagens secundários de Beast Wars. Ao abortar o kit antes mesmo de liberar fotos do protótipo pintado, a Hasbro sinaliza que os próximos passos na linha premium serão bem menos experimentais — e isso acontece no exato momento em que o mercado de colecionáveis sofre com estoques encalhados de Rise of the Beasts.

Personagem esquecido vira alerta sobre custo e visibilidade

Lançado em 1996 como um urso-pardo que se transformava em robô, Polar Claw nunca ganhou espaço em séries animadas ou no cinema. A promessa do kit de quase 30 cm, articulado e sem necessidade de cola, pegou fãs justamente pela raridade. Só que a combinação de peça grande, engenharia complexa e tiragem baixa colocou o preço de lançamento acima de R$ 750.

Segundo lojistas consultados, o número de reservas ficou 40% abaixo do previsto, pressionando a planilha de custos da fabricante. O cancelamento lembra a decisão da Bandai de segurar figuras de linha secundária antes de ressuscitar Sailor Moon com personagens de apelo garantido. No caso de Polar Claw, nem mesmo a onda de nostalgia de Beast Wars foi suficiente para justificar a produção.

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Hasbro fecha a torneira enquanto reorganiza licenças

A gigante americana passa por reestruturação que prevê o corte de 20% do quadro global até o fim de 2025. Internamente, a ordem é privilegiar artigos de alta rotatividade — leia-se Optimus, Bumblebee e Starscream — e empurrar experimentos para licenças digitais, como skins de jogos e NFTs sob demanda. O recuo em kits premium ecoa a estratégia da Crunchyroll, que recentemente liberou séries de catálogo para gastar menos com produções novas.

No curto prazo, isso deve encolher ainda mais a fatia de personagens B, deixando fãs reféns de tiragens customizadas ou impressões 3D. Já distribuidoras nacionais calculam perdas de até R$ 200 mil em pedidos mínimos que ficarão sem cobertura.

Corrida por colecionáveis de luxo muda de mãos

Enquanto a Hasbro pisa no freio, outras marcas aceleram. A Crocs, ao lançar sua linha de tamancos Pokémon, provou que o dinheiro nerd pode migrar para produtos menos complexos e de maior margem. Já a Sunrise, com a decisão de deixar Gundam “falar” inglês, corre para ocupar espaços que concorrentes vacilam em manter. Quem coleciona Transformers começa a perceber que a festa dos itens deluxe, sem nome de peso no front, pode estar no fim — pelo menos até a próxima reviravolta na diretoria.

Sem Polar Claw, resta aguardar o que a Hasbro ainda considera seguro fabricar este ano. O silêncio sobre personagens fora do eixo principal indica que, por ora, o rugido dos Maximals voltará para a geladeira — prova de que até robôs gigantes podem ser esmagados pelo tamanho da planilha.

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