InícioMarvelIMAX para poucos: Marvel limita salas de Avengers: Doomsday e escancara disputa...

Publicações relacionadas

IMAX para poucos: Marvel limita salas de Avengers: Doomsday e escancara disputa por telas premium

Quando a Marvel confirmou que Avengers: Doomsday terá sessões em IMAX, a notícia soou como recado de reparação aos fãs que acusam o estúdio de economizar em experiência premium. Mas o alívio durou pouco: a própria Disney avisou, nos bastidores das redes exibidoras, que a janela será curta — e a maior parte do mundo, Brasil incluído, deve ficar de fora do formato na estreia.

O “catch” é simples e duro: apenas as salas IMAX com contrato direto com a Disney exibirão o longa por seis dias, antes que Dune: Parte 3 e o relançamento de Oppenheimer retomem as telas lá fora. A limitação deixa expoentes do mercado sul-americano isolados da onda hype e lança luz sobre uma guerra silenciosa por espaços premium que nem sempre o público percebe.

Janela de seis dias revela disputa silenciosa por 1.500 telas

Nos Estados Unidos, o circuito IMAX conta com pouco mais de 400 salas. Dessas, 310 já haviam sido bloqueadas pela Warner para Dune: Parte 3 — previsto só duas semanas depois de Doomsday, mas protegido por contrato prioritário. Restaram cerca de 90 telas “flexíveis”, que a Disney garantiu, segundo agentes de booking, em troca de bônus sobre bilheteria de pipoca.

Na prática, o acordo criou um quebra-cabeça internacional: países onde Dune estreia antes ou ao mesmo tempo que Doomsday não ganharão a cópia IMAX da Marvel. Fonte envolvida nas negociações diz que México, Coreia do Sul e Índia ficarão na lista; Brasil, Espanha e boa parte da Europa não entram. É por isso que a campanha publicitária fala em “IMAX remasterizado” sem citar territórios.

Brasil sente efeito imediato

A rede nacional que concentra 60 % das salas IMAX já recebeu sinal de que exibirá Avengers: Doomsday só em 2D tradicional. Ainda não há comunicado oficial, mas cinemas tentam negociar sessões matinais “eventuais” fora da janela prioritária da Warner. Na última vez que isso ocorreu, com Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, o ingresso premium caiu de R$ 79 para R$ 39 após a primeira semana — pressão que deve se repetir.

Marvel aposta no choque imediato e contorna desgaste do MCU

Desde o tropeço de As Marvels, o estúdio busca reconquistar a ala que exige espetáculo em tela gigante. A estratégia de rarificar a oferta — e não de ampliá-la — mira o boca a boca da primeira leva de espectadores dispostos a viajar de cidade ou pagar sobrepreço por uma sessão lotada. É o inverso do modelo de estreia ampla que a própria Disney consolidou na era Ultimato.

O movimento se soma à tática de marketing de nostalgia, vista quando a casa divulgou artes que dividiram a base de fãs, como analisamos em “Marvel aposta em nostalgia afiada e racha fãs com pôsteres de Avengers: Doomsday”. Ao reunir exclusividade premium e apelo emocional, a empresa tenta gerar urgência onde o cansaço de super-heróis já é tema dominante das redes.

Resta saber se o plano converterá bilheteria fora do eixo anglófono. A limitação de telas pode criar uma caça ao ingresso capaz de inflar a receita por sala, mas também reforça a percepção de que a Marvel prioriza mercados seletos. Caso se confirme, Avengers: Doomsday será o primeiro filme dos Vingadores a estrear no Brasil sem o carimbo IMAX, um detalhe que dificilmente passaria despercebido em 2019 — e que hoje explica muito sobre o novo jogo das majors.

Últimas publicações