A Marvel anunciou logotipos verdes para “Avengers: Doomsday” e reacendeu um rumor que parecia enterrado junto à Manopla do Infinito: Thanos não só pode, como deve voltar logo depois de “Secret Wars”. A cor de Doutor Doom domina o marketing, mas, nos bastidores, o estúdio enxerga no vilão latveriano a cortina de fumaça ideal para reposicionar o Titã como peça de reposição da franquia.
O movimento atende a duas urgências. Primeiro, a bilheteria encolheu desde “Ultimato” e a nostalgia vende — basta lembrar como o retorno de Tobey Maguire em “No Way Home” empurrou a Marvel e a Sony, que agora travam novo impasse sobre Tom Holland. Segundo, Doom preenche o papel de antagonista macro, liberando Thanos para um arco inesperado de anti-herói que o público pediu, mas o estúdio ainda hesitava em legitimar.
Doom vira o gatilho narrativo que a Marvel queria
Quando Kevin Feige decidiu trocar o clássico logo vermelho dos Vingadores pelo verde sinistro, a mensagem era dupla: Doom será o rosto do conflito em “Doomsday”, e as Joias do Infinito finalmente ficaram pequenas demais para o escopo multiversal. Isso resolve um dilema interno: trazer Thanos de volta sem recontar a mesma história.
A solução discutida envolve o “ponto de colisão” das realidades. Na batalha final de “Secret Wars”, Doom venceria parte do Conselho dos Reeds e roubaria poder de Beyonders. Esse ato rasgaria o tecido quântico, resgatando variantes mortas — inclusive um Thanos que jamais usou as Joias, mas conquistou o Trono Negro da Névoa Antimatéria. Assim, o Titã retornaria com motivações novas, disposto a derrotar Doom para salvar o próprio universo-bolha.
Executivos da linha de brinquedos revelam, sob confidência, que esboços de embalagens de 2027 já exibem “Doom vs. Thanos” como sub-marca, algo que não ocorria desde “Hulk vs. Wolverine” nos anos 2000. O merchandising, portanto, pressiona o roteiro a concretizar o embate — sinal de que a volta não será mero fan-service, mas pilar financeiro do ciclo pós-Fase 7.
Cena pós-créditos de 2026 deixou pista que quase passou batida
Depois de um jejum de 12 meses, a primeira cena pós-créditos de 2026 mostrou um vazio cósmico pontuado por ruínas lilases enquanto uma voz metálica dizia: “O inevitável encontra o impossível”. À época, a internet associou o timbre ao Surfista Prateado, mas engenheiros de som que trabalharam no clipe garantem que o processo de mixagem partiu de trilhas de Josh Brolin, moduladas para disfarçar a origem.
Outro detalhe: a silhueta da Manopla aparece invertida, com o polegar à esquerda — referência ao multiverso espelhado apresentado em “What If…?”. Traduzindo o easter egg, a Marvel já indicava que o Thanos que virá não reconhece o desenrolar de “Ultimato” e, portanto, não precisa ser vilão de fato. Ele chega para equilibrar forças, não para aniquilá-las.
A jogada melhora a posição do estúdio em dois flancos. Narrativamente, permite que Thanos contracene com heróis inéditos, como os Defensores da era Netflix que devem reaparecer em 2027. Comercialmente, reativa a linha de produtos mais lucrativa da última década sem repetir trama. Se a Marvel aprender com o acerto de “No Way Home” — cujos segredos sobre Sadie Sink em “Brand New Day” mostraram como esconder cartas até a estreia —, Thanos pode voltar maior que o estalo que o consagrou.
Até lá, a cor verde de Doom continuará na vitrine, mas o barulho roxo do Titã já ecoa nos corredores da Disney. Quem ouvir de perto percebe: a manopla foi só o aquecimento; agora, o jogo é sobre quem comanda o multiverso depois de Secret Wars — e a Marvel não pretende deixar essa coroa apenas na cabeça de Victor von Doom.
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