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Megatron em forma de dragão volta à linha oficial e revela novo plano da Hasbro para o multiverso Transformers

Sem aviso prévio, a Hasbro tirou da gaveta a versão dragão de Megatron – um dos designs mais cultuados de Beast Wars – e a colocou como estrela da nova leva de kits de montar Blokees. O anúncio pegou até os grupos de colecionadores mais atentos de surpresa porque, há mais de duas décadas, o vilão alado não ganhava uma vitrine oficial tão acessível.

O detalhe escancarou uma manobra maior: a licenciante aposta em kits de baixo custo para medir a temperatura do público em múltiplas linhas ao mesmo tempo, de G1 a Unicron Trilogy. Se der certo, a repercussão do “Megatron dragão pocket” pode acelerar outras reedições — inclusive o aguardado combiner dos Dinobots, já sugerido na linha principal há poucas semanas.

Megatron dragão renasce como termômetro de nostalgia

A versão Transmetal II de Megatron chegou às lojas em 1999, mas, fora um relançamento premium em 2006 e o Leader Class de 2023, permaneceu restrita a bolsos fundos. O kit Blokees, previsto para custar cerca de um terço do valor da figura mais recente, devolve ao fã casual a chance de ter o vilão rubro sem travar guerra de lances no eBay.

A escolha não é aleatória. Segundo executivos da própria Hasbro em balanços recentes, personagens “com leitura imediata de poder” elevam em até 28 % o engajamento social das campanhas. Megatron dragão cumpre esse papel duplo: ativa a memória afetiva dos trintões que cresceram com Beast Wars e serve de isca visual para novos públicos que só conhecem o Decepticon em formas mais convencionais.

Blokees vira laboratório de multiverso sem inflar estoque

Os kits Blokees chegam desmontados, em moldes menores que a palma da mão, e dispensam pintura. Para a Hasbro, isso zera custos logísticos típicos de action figures articulados e permite testar nichos paralelos sem engessar a linha principal Legacy. Na mesma onda que abriga Megatron, apareceram Optimus Primal, Grimlock, Hot Shot e até um Starscream de realidade Shattered Glass, prova de que a estratégia mira universos bem diferentes de uma tacada só.

O movimento coincide com a decisão da empresa de vender o estúdio eOne e focar parcerias de licença, aliviando o caixa após um trimestre de queda de 10 % na unidade Consumer Products. Em vez de bancar produção própria, a gigante recebe royalty e coleta dados de vendas regionais, algo crucial antes do lançamento do longa animado Transformers One, previsto para 2024.

Kits de montar viram ponte entre o bolso do fã e o cofre da marca

Modelos “snap-fit” como Blokees pegam carona no boom de maquetes de franquias asiáticas, caso dos Gunpla de Gundam, que já faturam quase 50 % do negócio da Bandai. Para a Hasbro, é a oportunidade de transformar personagem caro em item de entrada: o consumidor desembolsa menos de R$ 80, descobre a marca ou reforça a coleção e, semanas depois, pode migrar para produtos premium acima de R$ 500.

Se o dragão de Megatron voar nas prateleiras, a companhia terá sinal verde para repetir a fórmula com outros favoritos esquecidos, como Tidal Wave ou os Predacons felinos. E, pela primeira vez em anos, o próprio fã terá voz direta no line-up futuro, não pela militância online, mas pelo simples ato de encaixar peças de plástico no fim de semana.

Dentro ou fora das telas, o líder Decepticon segue ditando regras: desta vez, a transformação não está no personagem, mas no modelo de negócio que ele acaba de inaugurar.

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