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Fora do pódio: queda inédita de Pokémon no ranking global revela desgaste da marca em 2026

Para quem jurava que Pikachu era imbatível, o choque veio em forma de planilha: o ranking anual de audiência global de 2026 derrubou Pokémon para a 4ª colocação, atrás de One Piece, Detective Conan e Spy x Family. É a primeira vez, desde 1998, que a saga dos monstrinhos não aparece no pódio — e justamente no ano em que a série passou por uma renovação completa de protagonistas.

O tombo não é só simbólico. No mesmo dia em que o relatório financeira semestral da TV Tokyo chegou ao mercado, investidores descobriram que as receitas da divisão de anime caíram 5,2% no primeiro semestre do ano fiscal de 2027, puxadas principalmente pela performance morna de Pokémon no exterior. A dúvida que paira agora: a fórmula que sustentou um império de US$ 100 bi ainda consegue dialogar com o público que migrou para tramas mais adultas?

Relatório da TV Tokyo escancara a freada de Pikachu

O documento entregue a acionistas revela a cena completa. Na métrica que soma pontos de audiência em TV aberta japonesa, streaming global e views em plataformas licenciadas, Pokémon fechou com 8,1 pontos — 1,4 a menos que em 2025. O vencedor, One Piece, bateu 10,7. Mais grave foi a fotografia por faixa etária: entre 15 e 24 anos, a participação da série caiu para 11%, metade do índice de 2018.

Dentro da casa, a queda machuca o bolso. Pokémon respondia por 42% do faturamento de produtos licenciados da TV Tokyo há cinco anos; agora traz 29%. A emissora confirma que os royalties internacionais ligados à série recuaram 7% no semestre, ao passo que IPs mais recentes, como Spy x Family, avançaram dois dígitos no mesmo período. Analistas ouvidos pelo portal dizem que o sinal amarelo acendeu porque o mix de receita de Pokémon sempre foi amarrado à constância de exposição em TV.

Conteúdo mais “adulto light” rouba audiência e anunciantes

O pódio reformulado tem algo em comum: roteiros que falam com a geração que cresceu vendo Pokémon, mas exige temas menos maniqueístas. Spy x Family encaixa humor de situação com suspense político; One Piece dobrou a aposta em arcos sombrios; Detective Conan modernizou sua linguagem forense. O resultado agrada marcas premium, que enxergam nesses títulos uma vitrine para jovens adultos.

No mercado publicitário japonês, o CPM (custo por mil) de slots em animes noturnos subiu em média 18% no último ano, segundo a agência Dentsu. Já espaços matinais, onde Pokémon reina, perderam 6%. Ou seja: não é só questão de ibope, mas de quanto cada ponto vale. Mesmo a Netflix, que passou a rivalizar diretamente, trabalha modelos híbridos com dramas de ficção científica de alto orçamento, caso do projeto adiantado para 26 de novembro que a plataforma julga ser seu maior sci-fi de 2026. Esse movimento pressiona qualquer produção infantil a repensar narrativa ou migrar de faixa.

A resposta: nostalgia de rua e reformulação de legado

Licenciamento busca novas frentes fora da TV

A Pokémon Company contra-atacou longe das telas. Em agosto, instalou no interior de Iwate um bueiro temático com um novo design de Zapdos — peça que viralizou por conectar turismo local e caçada geek, como detalhamos quando o lendário pássaro ganhou feição inédita. A estratégia é transferir ao mundo físico o mesmo fator coleção que fez sucesso nos games.

Nos bastidores, executivos discutem acelerar linhas para jovens adultos, como roupas streetwear de alto ticket e colaborações com artistas visuais. A ideia é capturar quem se afastou da série animada, mas guarda vínculo emocional com a primeira geração — exatamente o público que hoje engorda recordes de Blade Runner-like de Shinichiro Watanabe, citado quando sugeriu revisitar Cowboy Bebop.

Se a reestruturação vai recolocar Pikachu no pódio ou apenas proteger margens de lucro, ninguém arrisca. O certo é que, em 2026, o relâmpago amarelo descobriu que a concorrência não está mais na floresta de Viridian, mas no controle remoto — e o público que outrora torcia por Ash cresceu, mudou de canal e cobra narrativas que evoluam tão rápido quanto um Charizard.

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