Faltam meses para o K-drama de fantasia que a própria Netflix vende como “grande evento de 2025” chegar às telas, mas o serviço decidiu que não vai esperar os números para renovar a aposta. A plataforma já fechou a pré-produção de uma série-irmã ambientada no mesmo universo mítico — e, para sinalizar ambição, colocou na mesa o nome de seu rosto mais reconhecível desde “Round 6”.
O movimento antecipa uma guerra de catálogo: Disney+ e Prime Video avançam sobre narrativas épicas coreanas, enquanto o streaming vermelho precisa mostrar que ainda dita o ritmo. A escolha de lacrar contrato antes da recepção do público indica uma mudança de mentalidade: agora o risco de bilheteria virou arma para não ceder terreno na briga da fidelização.
Netflix troca segurança por efeito avalanche na fantasia coreana
Historicamente, o serviço preferiu avaliar duas métricas antes de abrir a carteira: horas assistidas na quarta semana e retenção de temporada completa. Desta vez o processo foi invertido. Segundo fontes ligadas à produção, a equipe de roteiristas contratada para o hit de 2025 recebeu sinal verde para desenvolver um “capítulo paralelo” antes mesmo de gravar o final da série-mãe. A ordem é clara: consolidar um universo compartilhado capaz de entregar cruzamentos de enredo por no mínimo três anos seguidos.
A estratégia repete em escala coreana o que a empresa ensaiou com o fenômeno espanhol “La Casa de Papel” — quando a encomenda de “Berlim” foi autorizada ainda na pós-produção da temporada final. A diferença é que, agora, o streaming mira no gênero fantasia, espaço onde rivais vêm roubando atenção com títulos como “Moving” e “Island”. O vice-presidente de conteúdo para a Ásia já sinalizou internamente que a Coreia “substituiu Hollywood” como laboratório de IP de alto retorno.
Maior astro da casa entrega sinal de caixa-preta (e de orçamento)
O maior indício de que a Netflix está dobrando a aposta atende pelo nome de Lee Jung-jae. O ator, que ganhou status de embaixador global após “Round 6” e já dirige a aguardada segunda temporada, negocia participação como protagonista — ou, no mínimo, como figura de ligação entre as duas séries. A simples presença de Lee inflaciona a folha de pagamento: estima-se cachê de US$ 900 mil por episódio, verba que, num drama coreano médio, cobriria todos os efeitos especiais.
Mas o custo alto vem acompanhado de portas abertas. Marcas asiáticas de moda e beleza pressionam para repetir a corrida por licenças vista em “The Glory”. A Bandai, que já testou a paciência do fã com linha de quatro Gokus ao mesmo tempo, estuda protótipos de action figures baseados em criaturas folclóricas presentes no roteiro. O mercado de colecionáveis enxerga oportunidade de surfar a onda, assim como aconteceu quando o novo Bleach reacendeu a franquia e recolocou o Studio Pierrot no centro da disputa por animes.
Licenças, Comic Cons e a briga pelo guarda-roupa nerd
O sinal de largada para o merchandising deve acender ainda em 2024, com anúncios previstos na Comic Con de Seul e, possivelmente, na CCXP brasileira. Rumores de bastidor falam em collab com a Crocs — movimento semelhante ao que levou Pokémon a faturar alto e provocou a “corrida bilionária pelo guarda-roupa nerd”. Para a Netflix, cada camiseta vendida vira propaganda ambulante de assinatura; para as grifes, o selo K-fantasy entrega frescor e público feminino entre 18 e 34 anos, faixa pouco cativa pelos clássicos de super-herói.
Nos próximos trinta dias, a gigante do streaming deve confirmar oficialmente o elenco e liberar o primeiro teaser do “projeto-irmão”. Até lá, o sinal mais claro de que a fantasia coreana virou prioridade global está no cronograma apertado: salas de efeitos reservadas, agenda de Lee Jung-jae bloqueada e contratos de licenciamento circulando antes mesmo da primeira claquete bater. A Netflix, desta vez, aposta que o melhor momento para segurar o trono é antes de alguém perceber que ele pode ficar vazio.

