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Com “The Odyssey”, Christopher Nolan arranca do MCU o título de maior estreia para um filme 18+

Christopher Nolan virou a chave do mercado adulto em Hollywood. “The Odyssey”, seu drama bélico-filosófico com classificação 18+, estreou neste fim de semana com US$ 138,2 milhões nos Estados Unidos, valor que derruba o recorde que “Deadpool” mantinha desde 2016 – e que, após a compra da Fox, passou a constar oficialmente no guarda-chuva do MCU. O número assustou executivos da Disney por duas razões: mostra que o apelo maior de bilheteria para maiores de idade não depende de super-herói e estabelece um novo sarrafo justamente quando o estúdio se prepara para lançar “Deadpool 3” como primeiro R-rated declarado do universo Marvel.

Ao ultrapassar a antiga marca de US$ 132,4 milhões, o filme de Nolan também entregou 37% de seus ingressos nos formatos premium – recorde absoluto entre títulos 18+. O ticket médio alto encurtou a distância para lançamentos PG-13 como “Vingadores: Ultimato”, confirmando a tese de analistas de que há público disposto a pagar mais por obras adultas, desde que entreguem escala cinematográfica. É nesse ponto que a vitória de “The Odyssey” vai além de um número: ela destampa uma lacuna estratégica da Marvel no nicho que o próprio estúdio diz querer ocupar.

Recorde expõe a demora da Marvel em falar sério com o público 18+

Desde 2019 a Marvel promete injetar filmes mais violentos e sombrios em sua linha principal. O anúncio de “Blade”, o recrutamento de Ryan Reynolds para um novo Motoqueiro Fantasma e a enxurrada de reedições nostálgicas, como “Endgame: Encore”, sugeriam deslocamento gradual para temas mais adultos. Nada, porém, saiu do papel. Em 2024, “The Odyssey” expõe esse atraso: o filme ocupa um espaço que a Disney identificou, mas não acelerou.

Executivos ouvidos por este portal relatam incômodo interno: o estúdio contava com “Deadpool 3” para retomar a dianteira no segmento, mas a produção enfrenta reescritas constantes para não colidir com o humor PG-13 tradicional do MCU. O fato de um drama histórico – sem franquia prévia, sem cena pós-créditos, sem multiverso – tomar a coroa de um anti-herói falastrão mostra que o apetite adulto independe de referências internas e piadas metalinguísticas. Para quem acompanha a montanha-russa de bilheterias dos últimos anos, o recado é claro: a Marvel já não dita sozinha o ritmo das salas premium.

Nolan testa preço alto e ganha; Disney vê teto de “ingressos evento” ameaçado

O ticket médio de “The Odyssey” bateu US$ 17,11 nos EUA, impulsionado por salas IMAX 70 mm e sessões especiais com trilha ao vivo. A estratégia recupera a ideia de “evento de tela grande” que a Disney vem tentando replicar com relançamentos, caso de “Endgame: Encore”. A diferença é que Nolan vendeu novidade, enquanto a Marvel aposta em nostalgia. Analistas de distribuição alertam que o público premium está mais propenso a pagar caro por experiências inéditas do que por reprises turbinadas.

Internamente, o sucesso reforça o argumento de diretores que pressionam por liberdade criativa em futuros blockbusters. A Warner, distribuidora de “The Odyssey”, já sinaliza que manterá a janela estendida de 45 dias antes do streaming, enquanto a Disney estuda encolher a de “Deadpool 3” para tentar aproveitar buzz digital. Se confirmar a decisão, poderá repetir a corrida curta de “Viúva Negra”, cujos números decepcionantes em 2021 ainda assombram os relatórios.

Detalhe que passa batido: Deadpool já era MCU no papel, mas não nos planos

Muito se fala que “Deadpool” não faz parte do Universo Cinematográfico Marvel, mas juridicamente a situação mudou em 2019, com a compra da Fox. Desde então, o recorde de maior estreia para um R-rated pertencia a um título sob o selo Marvel Studios. O departamento de marketing, contudo, evitava alardear a filiação para não confundir o público sobre a cronologia. Com a façanha de Nolan, a Marvel perde não apenas um número de vitrine, mas a chance de usar esse trunfo em futuras negociações de salas IMAX para “Deadpool 3”.

A ironia não passou despercebida por fontes de exibição: enquanto a Disney mantinha o recorde no cofre, a Warner apostou em plena greve de roteiristas em um filme caríssimo, 100% original e destinado a adultos. O pay-off veio rápido. Agora, a Marvel corre contra o tempo para provar que ainda sabe gerar tesão de bilheteria fora do conforto PG-13. Caso contrário, “The Odyssey” pode inaugurar uma temporada em que não só o multiverso, mas o monopólio de recordes do MCU, vire peça de museu.

O próximo fim de semana será decisivo. Se a queda de Nolan ficar abaixo de 55%, “The Odyssey” entrará na trilha de “Coringa” rumo ao bilhão global – algo que nenhum filme da Marvel rotulado 18+ jamais alcançou. E, pela primeira vez em 15 anos, a maior ameaça aos super-heróis não vem de outro herói, mas de Ulisses, um general grego reimaginado por Christopher Nolan. A corrida, enfim, mudou de pista.

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