Nem foi preciso um novo golpe de três espadas: bastou um livreto de 96 páginas que chegou às bancas japonesas no início de julho para encerrar o duelo favorito dos fãs de One Piece. No material, batizado de “One Piece Character Guide: The Wings”, Eiichiro Oda designa Zoro como “braço direito de Luffy” e deixa Sanji como “braço esquerdo”, selando oficialmente a hierarquia de força na tripulação.
O detalhe parece mero rodapé, mas representou a paz — ou a derrota — em incontáveis threads de redes sociais. Por que o autor decidiu cravar o veredito agora, às vésperas da saga final? A resposta passa por estratégia editorial, controle de narrativa e dinheiro novo em plena disputa entre serviços de streaming por animes de peso.
Guia nomeia as “Asas do Rei” e coloca Zoro meio passo à frente
Publicada paralelamente à Jump Giga de verão, a enciclopédia resume bounties, artes conceituais inéditas e, pela primeira vez, traz uma página dupla intitulada “Asas do Rei”. Ali, Zoro aparece à direita de Luffy, com a legenda “Primeira Asa”, enquanto Sanji ocupa a esquerda, identificado como “Segunda Asa”. Não é só posição na ilustração: o texto de apoio diz que “o espadachim se ergue como escudo letal, antecedido apenas pelo capitão”.
A inversão mata um argumento recorrente do fandom brasileiro — de que a proximidade entre as recompensas pós-Wano (1,111 bilhão para Zoro; 1,032 bilhão para Sanji) indicaria equivalência plena. Ao explicitar a ordem, Oda fecha a brecha para leituras alternativas e prepara terreno para o capítulo derradeiro, em que a tripulação deixará de lutar em sub-grupos para encarar almirantes e o próprio Gorosei.
Por que Oda enterra a polêmica justamente agora
Na prática, o autor ganhou dois benefícios. O primeiro é narrativo: ao fixar o papel de cada “asa”, ele simplifica a distribuição de inimigos na etapa de Elbaf e além, evitando reclamações de desequilíbrio de roteiro. O segundo é mercadológico. A edição limitada do guia tirou 350 mil cópias e já esgotou; uma reimpressão foi acionada para agosto, sinal de que o estúdio Shueisha aprendeu a monetizar debates de fãs antes que eles esfriem, modelo parecido com o que a Disney+ faz ao fatiar o retorno de Bleach, conforme noticiamos em outra reportagem.
Há ainda um componente de timing. O live-action da Netflix, que volta a gravar em setembro, terá Zoro e Sanji em destaque. Chegar às filmagens com os papéis definidos facilita a adaptação e evita que a série pareça contradizer o canônico do mangá — um dilema que outras franquias enfrentam, como exibiu o diretor do longa de Naruto ao prometer mudanças políticas não vistas no anime.
Reação do fandom mistura alívio, memes e nova disputa por colecionáveis
No X, a hashtag #FirstWingZoro bateu 2,3 milhões de menções em 48 horas, metade delas vindas do Brasil, segundo levantamento da consultoria Pulsar. A avalanche gerou corrida a produtos: na Amazon JP, a action figure “Battle Damage Zoro” subiu 180% nas vendas e repetiu a onda que vimos com Megatron nos 40 anos de Transformers, caso detalhado neste artigo.
Curiosamente, a oficialização não encerrou todas as brigas — apenas mudou o foco. Agora, perfis trocam farpas sobre quem seria a “terceira asa”, vaga disputada por Jinbe e por um Franky turbinado que ainda nem mostrou o arsenal completo. Para Oda e para a editora, é o cenário perfeito: debate renovado, guias futuros garantidos e a sensação de que cada página extra é munição tanto para as rodas de conversa quanto para o caixa.
Seja pelo fim de uma disputa de décadas ou pelo começo de outra, o recado é claro: em One Piece, não há espaço vazio, apenas a chance de transformar like em iene antes do último saque do tesouro.
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