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Os oito heróis que ainda pagam a conta do anime em plena guerra dos streamings

Quando Netflix, Disney e Crunchyroll travam acordos milionários por novas séries, os contratos mais seguros ainda levam nomes escritos nos anos 80, 90 ou início dos 2000. Entre reajustes de catálogo e queda na venda de DVDs, oito protagonistas seguem sendo a garantia de audiência, boneco e engajamento — e, por isso, custam mais caro a cada temporada de negociação.

O aparente paradoxo virou munição recente no mercado: enquanto se discute a possibilidade de um “verão 2026” sem telas nos Estados Unidos por falta de acordos, fabricantes de brinquedos japoneses registram até 27% de aumento na receita ligada justamente a essas mesmas figuras clássicas. Aí mora a força real desses heróis: mesmo sem episódios inéditos constantes, eles nunca saem de pauta — ou da planilha de lucros.

Veteranos que ainda decidem o balanço das produtoras

De acordo com números consolidados pela Associação de Animação do Japão, 38% do faturamento de licenciamento em 2023 veio de franquias iniciadas há pelo menos 15 anos. É um índice atípico para a indústria do entretenimento, acostumada a trocar de rosto a cada reboot hollywoodiano. Na animação japonesa, porém, o “rosto” é o maior ativo: trocar o protagonista significa reiniciar toda a percepção de valor junto ao fã que compra figure, camisetas e jogos.

É por isso que a Toei mantém Goku nos holofotes mesmo sem uma série semanal desde 2018 — e já aponta para 2027 com o próximo game exclusivo do PS5, conforme tratado em análise sobre a aposta de longo prazo da Sony. O cálculo se repete no grupo Bandai Namco, que nunca deixa Naruto ou Luffy fora de coleções de fim de ano, mesmo correndo risco de canibalizar novos títulos do catálogo.

Oito protagonistas que sustentam o modelo — do varejo ao TikTok

Esses personagens não são “melhores” apenas no enredo; eles sobrevivem porque oferecem algo que planilha nenhuma derruba: memória afetiva em escala global. A lista abaixo revela quanto cada um movimenta e o porquê de seguirem irremovíveis, ainda que novos animes mais curtos tentem acelerar o ciclo de renovação, como observado na recente corrida pelos títulos “termináveis”.

  1. Son Goku (Dragon Ball) — Estima-se que 20% das vendas anuais de figures articuladas da Bandai no Ocidente tenham o saiyajin na embalagem. O personagem virou métrica: toda linha de brinquedo estabelece preço tomando o Goku de referência.
  2. Monkey D. Luffy (One Piece) — Mesmo com rumores de aposentadoria em filme previsto para 2027, Luffy responde por 70% da receita de vestuário ligado à franquia fora do Japão, segundo relatório interno da Toei.
  3. Naruto Uzumaki (Naruto) — A cada edição comemorativa de mangá, a editora Shueisha coloca dois volumes de Naruto para cada volume de obras novatas — e eles esgotam primeiro.
  4. Pikachu (Pokémon) — O rato elétrico é hoje o mascote oficial de três campanhas governamentais japonesas, o que blinda a marca contra quedas bruscas de relevância entre filmes.
  5. Astro Boy — Com 70 anos de criação, o garoto-robô tem 12 acordos novos de merchandising assinados em 2024, metade voltados a moda de luxo que mira millennials saudosistas.
  6. Sailor Moon — A personagem gerou, sozinha, 88 milhões de dólares em licenças de maquiagem nos últimos dois anos, ultrapassando toda a receita de animações românticas lançadas nas últimas três temporadas.
  7. Deku (My Hero Academia) — O único “novato” da lista: estreia em 2016, mas já concentra 60% dos vídeos de cosplay da franquia no TikTok, índice maior que qualquer colega de época.
  8. Spike Spiegel (Cowboy Bebop) — Mesmo com live-action cancelado, o anti-herói fez as vendas de vinil da trilha sonora subirem 300% em 2023, impulsionadas por remixes no Spotify.

Os dados reforçam que o peso econômico desses heróis não está apenas na TV: eles vivem na timeline, no guarda-roupa, na estante e, sobretudo, na sensação de “clássico” que conforta o assinante em meio à avalanche de opções. Enquanto novos estúdios tentam repetir a “receita Demon Slayer”, como apontou o CEO da MAPPA em entrevista recente, as gigantes do setor preferem pagar caro pela segurança que esses oito nomes oferecem.

Conclusão inevitável: quem quiser destronar esse grupo precisará vencer não só o algoritmo, mas décadas de afeto traduzidas em bilhões de ienes. Até lá, o herói pode até mudar de uniforme — só não perde o posto no balancete.

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